A ausência de formadores de opinião na atualidade! – Por Fernando Luiz

Este texto foi formado com base em uma discussão em um grupo literário no facebook, as impressões e opiniões contidas nele são de caráter pessoal do autor, com base na discussão sadia de um grupo de entretenimento.

 

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A ausência de formadores de opinião na atualidade!

 

Nos tempos de Gabriel García Márquez, escritores, jornalistas e outros membros da classe das letras eram responsáveis não só por estimular a literatura, mas também em apontar e criticar a sociedade com opiniões ácidas, impondo-se em várias questões sociais. Em tempos sombrios onde a literatura é fortemente ameaçada — quando escritores se preocupam com seu texto de forma tão fria, chegando a esquecer de que este não é seu único trabalho —, o mundo perdeu suas opiniões críticas, palavras de ordem e até mesmo o pouco de conteúdo que ainda tinha.

É notório que todo tipo de mudança vem através do interesse, pois sem ele nada pode ser influenciado nem modificado. Poderia eu afirmar que nossa geração de escritores estabelecidos, famosos por excelência e muito bem reconhecidos, não se interessam em formar opinião?

Longe de querer desmerecer o autor que publica seu livro e chega ao topo do sucesso, mas a verdade é que a publicação acontece por mera e simples satisfação pessoal. Não existe mais aquele escritor que, além de ter seu “sonho” concretizado, mantém-se ativo na sociedade através de sua opinião. Falta interesse em se impor.

Em compensação, vemos youtubers tornando-se influenciadores das massas. No entanto, essa influência é tão rasa, tão caricata, que os faz erguer multidões de fãs, seguidores e likes tão vazios de opinião que nem comentar seus vídeos essas pessoas o fazem. Aproveitando desse momento, algumas editoras transformam esses influenciadores em escritores, encomendando livros através de Ghost-Whriters, tornando físico o que era visto somente no digital.

Será esse nosso futuro? Antes, os escritores eram contestadores, vistos como aqueles que levavam a crítica à sociedade ou encaravam a realidade em que viviam de forma séria. Hoje, o caricato — e, por muitas vezes, o ridículo — influencia mais do que um artigo sério ou livro recheado de conteúdo.

A opinião fácil, mostrada através de um vídeo de cinco minutos ou mais, acaba assimilada de forma tão rápida que torna aquele sujeito que “se impõe” em um tipo de Deus. Falta tempo para escrever e, por isso, decidiu falar? Seria isso o que esses youtubers pensam?

Antes, um texto era visto como uma voz representativa na imensidão do barulho social. Em suas máquinas de escrever, os reais influenciadores derrubavam reinos através de suas palavras escritas. Hoje, erguem-se impérios de areia através de vídeos vazios na frente do mar.

O pior de tudo, é que o dito “influenciador”, na realidade, é influenciável. Ele recebe os tópicos prontos e os passa adiante pelo Whatsapp com sua voz ácida, hipnotizando espectadores que anseiam por suas palavras tal como um beato deseja ouvir a missa. Pra quer ter o trabalho de sentar e ler um texto se podemos, simplesmente, ver e ouvir opiniões de maneira mais simples e agradável? Seria essa a questão por não mais buscarmos conteúdo na forma escrita? Tornou-se necessário assistir a um vídeo para formarmos uma opinião? E o mais importante: Será que estamos formando uma opinião de verdade?

Apesar de tudo, existe qualidade no limbo profundo da internet. Navegar sem naufragar é a regra básica. Entretanto, é arriscado seguir às cegas os autoproclamados influencers ou Trumblr’s da vida. Uma opinião de cinco minutos não vale mais do que um texto que lhe fará pensar por dias. Uma crítica social ao mundo atual tão deturpado no qual vivemos não virá de um vídeo curto. Mas, como disse Mario Vargas Llosa, em seu livro a Civilização do espetáculo:

“Quando uma cultura relega o exercício de pensar ao desvão das coisas fora de moda e substitui ideias por imagens, os produtos literários e artísticos são promovidos, aceitos ou rejeitados pelas técnicas publicitárias e pelos reflexos condicionados de um público que carece de defesas intelectuais e sensíveis para detectar os contrabandos e as extorsões de que é vítima.”

A ausência de quem saiba se expor através de um texto, aliada com essa proliferação de quem usa a imagem para promover um abalo na mente dos outros, torna qualquer manifestação extremamente vazia.

Onde estão aqueles que perdem o sono, pensando em causar um impacto social em duas ou três páginas de um texto bem escrito, no meio desses tantos que botam a cara no sol, crentes de que sua fala de cinco minutos surtiria algum efeito? No fim, sabemos que desse último grupo, o que buscam de verdade são likes!

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