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Crítica | Livro: O Despertar da Fênix – Marlon Souza

O Despertar da Fênix é o primeiro livro d’As Crônicas de Elf Regnum, escrito por Marlon Souza. Marlon é conhecido nosso por causa dos eventos que ele organiza com uma galera, o LiteraCaxias. Comprei o livro dele em uma edição do Litera, e já aproveitei pra pegar um autógrafo e material promocional, o mapa de Elf Regnum e marcador de páginas.

A fênix irá despertar…

Uma fada lança uma profecia sobre o futuro de toda Elf Regnum. Sassas tem uma vida perfeita, e de um momento para outro toda sua inocência e esperança são perdidas. Em uma trama para usurpar o trono do rei, Eve se alia a ogros e reúne um grupo de elfos para marcharem até o Palácio Real, a fim de se tornar o novo Rei. Natan é príncipe e único herdeiro de Elf Regnum. Porém, presenciando as grandes proporções que uma súbita batalha está tomando, é obrigado a fugir junto de sua mãe. Mas, a fase mais importante de sua vida chegou, a maioridade élfica, onde seus talentos de manipulação começam a aparecer.

Sendo perseguido por elfos e ogros, precisa lutar pela sua vida. Até que algo surpreendente acontece e ele recebe o poder para revidar.

Eu sou apaixonada por fantasia. Amo a mistura do real com mitos e a áurea mágica que esse tipo de ficção traz e Marlon se saiu muito bem nessa conjunção. A história dele é muito concisa, e muito bem amarrada. Um exemplo são os nomes dos personagens, todos são palíndromos, conferindo uma característica única à obra e nomes belos e diferentes. O livro traz aspectos familiares, como a divisão por tribos de elementos da natureza e personagens angustiados por viverem à sombra de outros, tornando-os de fácil identificação e coerentes.

O trabalho de arte do livro é belíssimo, cada parte da capa, até o mapa do reino. De repente só caberia uma nova revisão por parte da editora. No mais, indico muito a leitura de O Despertar da Fênix. Sem pressão, Marlon, mas pode mandar o próximo! Hehe.

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Crítica | Livro: A Flecha de Fogo – Leonel Caldela

Para os que já estudaram história, uma verdade é absoluta: existem várias facetas sobre o mesmo fato.

Isso é o que podemos resumir sobre A Flecha de Fogo, novo romance de Leonel Caldela. A história é narrada em primeira pessoa sob os olhares de Corben, o clérigo de Thyatis, O Deus da Ressurreição. E depois de 21 anos desde a ideia ter surgido na mente de J.M Trevisan sobre a Aliança Negra, Leonel finalmente fecha mais um arco no cenário de Tormenta.

O livro começa na cidade de Sternachten, em Tyrondir no ano de 1413. O lugar possui uma ordem de clérigos de Thyatis. Lá, a peculiaridade desta ordem vem no seu avanço pela nova ciência conhecida como Astrologia. Eles olham os céus e os estudam para compreendê-los, bem como para criar e desvendar profecias. Nobres e pessoas importantes visitam e até financiam as pesquisas para descobrirem o próprio futuro. E no decorrer dos anos, o maior desafio desta ordem é descobrir o mistério que rodeia o inimigo goblinoide. O que é a Flecha de Fogo?

Essa profecia diz que algo ou alguém decretaria o fim de Thwor Ironfirst e a derrota final do seu império que surgiu com a queda do reino élfico e de todo o mundo civilizado do continente de Lamnor, também conhecido como Arton-Sul. Khalifor, a cidade-fortaleza era a única e última defesa capaz de deter o avanço deste temível mal. Contudo alguns anos atrás ela foi subjulgada e nada mais poderia defender ou impedir o avanço de conquista deste poderoso Bugbear.

Os acontecimentos prosseguem: goblins são os vilões e grupos de aventureiros são os heróis. A tragédia se abate na cidade. Planos de ambos os lados são postos em prática. Até que, numa revirada de mestre tudo muda. Os heróis não são tão legais assim, os goblins não são tão vis. E o protagonista passa a enxergar a visão de mundo dos seres que deveriam ser seus inimigos. Eles possuem cultura, famílias, ideais e sonhos como qualquer outro ser. Leonel trás riqueza quando decide virar tudo de ponta cabeça.

A cultura dos goblinoides é rica e bárbara. Os goblins em si podem ser grandes gênios da ciência. Eles possuem uma inventividade sem igual em suas mentes caóticas, mesmo tendo uma visão distorcida e bem estúpida da matemática. Eles como povos tribais, possuem cerimônias de sacrifício, leis escravocratas e um modo de vida um tanto violenta se formos comparar como a civilização. Não existe moeda no seu estilo de mercado, nem escambo. Tudo se consegue na base da força, onde você mostra sua posição hierárquica como mais forte.

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Sobre os personagens eu posso começar destacando Gradda, a Pútrida. Uma goblin bruxa desbocada ao extremo, sagaz, com humor ácido sem igual e senso de aventura única, sendo impossível não simpatizarmos com ela. O final da personagem foi bom, perfeito pelas circunstâncias.

Maryx Corta-Sangue é uma hobgoblin. Caçadora implacável contra os seus inimigos. É completamente fiel a causa de seu imperador e fará de tudo para que seus objetivos sejam cumpridos. No fundo, é uma mulher sentimental, com um amor sem igual a sua família. O final de sua história não me agradou tanto. Foi sem nexo, deixou bastante a desejar. Corben na altura da história, não deveria ser capaz de fazer absolutamente nada para alterar os fatos, ser apenas um observador no desfecho da personagem e da história como um todo. Contudo, de alguma forma ele consegue com sua façanha mudar o destino dela e isso para mim foi um baita furo de roteiro.

As duas são goblinoides típicas, mas aos olhos de Corben são quase heroicas. Eu prefiro classificá-las como anti-heróis.

O próprio Corben, o protagonista de nossa história, é um clérigo com uma vida pacata. Jovem, ainda não possui tanta sabedoria quanto deveria. Na trama, ele se modifica. Após perder tudo e ver que seu modo de vida não significava nada comparado aos problemas reais, ele começa a refletir. Observa que nem tudo é preto no branco. Que os seres que deveriam ser os heróis possuem seus lados sombrios, que os goblins que ele tanto ouviu como seres horríveis podem ser tão humanos quanto ele.

E no meio da narrativa, ele enfrenta seus próprios fantasmas. Fantasmas de uma infância cruel quase esquecida, um presente pacata, mas desperdiçado com rixas bobas e a possibilidade de um futuro grandioso, em que ele finalmente poderia ser alguma coisa. O seu fim foi adequado, ele mereceu as conquistas no decorrer da trama, contudo, como disse acima, ele deveria ter sido apenas um espectador. Ele realmente não teria mais capacidades de ajudar ou controlar os fatos, tudo estava fora de controle e o que era para acontecer deveria simplesmente acontecer. Algumas coisas foram forçadas em minha opinião.

Thwor Ironfirst, o vilão odiado, amado, imperador goblinoide, líder da Aliança Negra, a Foice de Ragnar, foi um pouco interessante. Ele faz jus a sua inteligência, como descrito sobre o personagem nos livros de RPG, mas ao mesmo também eu o imaginava diferente. Achei-o um personagem mediano. Algumas cenas às vezes sem sal. O seu final, mais do que merecido. Não poderia ter imaginado um final desse tipo e nem um final melhor.

O sumo-sacerdote Gaardalok foi muito bem representado. Ele é sábio, inteligente, e um vilão de dar arrepios. Não preciso falar muito sobre ele. Infelizmente, o final do personagem deixou muito a desejar. Eu não gostei nenhum pouco.

Avran Darholt foi um personagem que gostei bastante. Achei-o bem construído, misterioso, poderoso. Ele deveria ser tudo o que um guerreiro sagrado segue, mas o personagem não é exatamente aquilo que aparenta. E o seu segredo é um dos mais sombrios que se possa imaginar. Em toda a trama ele teve um bom destaque e o seu final foi perfeito.

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Eu poderia destacar vários personagens, inclusive secundários, mas isso aqui viraria um bíblia. O mais novo filho de Thwor, por exemplo, achei muito interessante, diferente do comum e o seu fim foi merecido, mas também muito amargo. Outro personagem que gostei bastante foi um goblin idoso. Eu não sei se estou certo, mas como acompanho a Guilda do Macaco, a mesa oficial de RPG dos criadores do cenário, lembrei-me de algo interessante. Eles fizeram uma brincadeira quando anunciaram o lançamento da Flecha de Fogo para as pessoas que assistiam a live. Brincaram sobre a dublagem que o Guilherme Dei Svaldi fez, personificando um goblin idoso, talvez centenário.

Quando observei esse personagem no livro não pude deixar de conectar esses pontos e se meu palpite foi correto, achei muito bacana essa homenagem que Leonel fez, foi um dos personagens mais vivos que observei no livro. Tinha seu jeito único e quando vi o seu fim, não pude deixar de ficar emocionado. Ele foi o personagem mais heroico de toda a narrativa. Quem sabe eu não crio ou vejo a ficha dele ser feita? E o terceiro e último, é o pai de Corben. Nós observamos o que uma alienação, medo e insegurança do povo comum podem fazer com a mente de um homem e quando li o seu fim nos capítulos, não pude deixar de imaginar o mal no coração do homem. Foi bem adequado como um todo. Gostei bastante de sua construção. Outros personagens conhecidos também aparecem como o único gnomo do mundo Lorde Niebling, a princesa Tanya etc.

A Flecha de Fogo, a arma definitiva que traria o fim a civilização goblinoide não foi nada vindo das mentes especulativas dos jogadores. Quando descobrirem o que é, podem muito bem se frustrar ou até mesmo ficarem empolgados. Eu particularmente achei interessante: se formos pensar no que é, achei mais do que adequado.

O livro como um todo é decente. Muito bem construído e a sua escrita é fluída. Foi a primeira vez que eu tive contato com o trabalho do Leonel e eu não tinha a menor ideia de como seria. Fiquei surpreso quando li suas páginas em apenas três dias. Sobre a revisão, não tenho o que reclamar. Quanto à diagramação, entretanto, ficou um pouco ruim em algumas páginas, pelo menos no formato digital (a mídia escolhida para a leitura), mas não atrapalhou ou incomodou a leitura. É livro único, nada de trilogias ou séries longas o que para mim é uma vantagem. Possuí mais de 700 páginas, o livro físico com certeza deve ser do mesmo tamanho que os escritos por George R.R Martin. Outro ponto bacana foi à pequena referência da situação do cenário falando sobre Von Krauser e a guerra em andamento.

Sem mais delongas, esse foi mais uma resenha em parceria com a Jambô editora. Em breve trarei mais novidades para vocês. Lhes desejo boas rolagens no D20 e até a próxima.

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CRÍTICA | Inesperadamente Você

Inesperadamente Você: uma comédia romântica estilo clássico

Sempre fui fã das boas e velhas estórias clichês de comédia romântica: rapaz conhece garota, e depois de alguns obstáculos se apaixonam. Acho que não há nada de errado com um pouco de previsibilidade. Mas não é incrível quando mesmo assim há elementos de surpresa?

Assim me senti lendo Inesperadamente Você, o livro de estreia da querida Deborah Strougo, uma história leve e divertida. Confira a sinopse a seguir:

Alice Bastos é uma residente de pediatria que está passando por uma situação complicada após o derrame do pai. Para pagar os custos do tratamento, ela decide vender a casa e morar em um local mais simples e próximo ao hospital em que ele está internado.
Quando surge uma oportunidade de comprar um ótimo apartamento com o preço em conta, Alice não pensa duas vezes antes de fechar o negócio. O que ela não esperava era ser vítima de um golpe que a obrigaria a dividir a moradia com Theo Leone, um profissional de TI arrogante, mal-humorado e bonito demais.
Porém, apesar dos desentendimentos, ambos descobrem que morar sob o mesmo teto pode ser a melhor coisa de suas vidas.

 

A narrativa de Deborah é bastante gestual, todos os sorrisos travessos, amarelos e os estalos de língua tornam-se bem visuais para o leitor, que consegue imaginar as cenas como num filme. A linha de desenvolvimento da história é muito bem amarrada, o que torna a história crível e possível.

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Ao ler a sinopse e conversar com a autora, lembrei um pouco do já clássico da Sessão da Tarde E Se Fosse Verdade com Reese Whiterspoon e Mark Ruffalo. Mas é só a premissa mesmo, o livro segue seu rumo próprio.

Em vídeo para o nosso canal, Deborah diz que gosta de histórias onde os personagens são “obrigados” a viver sob o mesmo teto, ou interagir de forma semelhante. Só ouvindo isto, não percebi algo que me dei conta lendo o livro: foi assim que minha história de amor se desenvolveu também!

Mas além da identificação pessoal, há muita sensibilidade na escrita de Inesperadamente Você, que me fez rir com as peripécias de Theo e Alice, mas também me emocionou a ponto de chorar, por conta de uma reviravolta que eu não “esperava” (fica aí o trocadilho hehe).

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Veredito

A história é coerente e coesa, os personagens são bem desenvolvidos e não superpovoam o livro. Por falar em personagens, algo que gostei bastante na história é que até que os protagonistas sejam obrigados a estar juntos, convivendo realmente, não é feita nenhuma descrição sobre a aparência deles como estonteantes e belíssimos (o que ocorre em muitos chick-lit), me fazendo crer que eles só passaram a se ver desta forma quando interesses começaram a aflorar.

Tentei ler com calma, para saborear a leitura, mas pouco depois, ela me dominou. Assim, quando acabei o livro, fiquei com aquela sensação de “aaaaaah“, querendo mais. Por isso, recomendo que leiam Inesperadamente Você e depois se juntem a mim na espera pelo
spin-off desta história!

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Crítica | A Louva-a-Deus

Uma mãe, um monstro ou uma heroína?

“A única coisa que fiz foi livrar o mundo de homens nojentos. Não me arrependo, fiz um bem”

Jeanne Deber

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Em Paris a polícia procura um psicopata cujos assassinatos são inspirados por Jeanne Deber, conhecido como “A louva-a-deus”, uma famosa serial killer que aterrorizou o país há 25 anos. Jeanne Deber oferece sua expertise para a polícia para ajudar a caçar a imitação. Colocada em confinamento solitário desde sua prisão, “A louva-a-deus” tem uma condição: a de lidar apenas com o Detetive Damien Carrot, seu distante filho. Damien não tem escolha, um serial killer está à solta e pode atacar a qualquer momento, em qualquer lugar em Paris.

Um verdadeiro choque de realidade, é o que esta série nos dá. A Louva-Deus nos mostra algo fora do comum. Inúmeros livros, filmes e até séries apresentam Serial Killers masculinos munidos de força e grosseria, desta vez, temos inteligência “delicadeza” e uma mulher cujo os motivos ficaram enterrados por 25 anos esperando a hora certa para concluir sua jornada. Seria ela uma aranha?

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Oito é um número que Dominique Feracci nunca irá esquecer, pois foram estes os assassinatos cometidos pela Louva-Deus na década de 90 que o fizeram percorrer Paris atrás do que para ele, era um monstro. Mas porque Louva-Deus?

Na série não é dito o motivo da mídia a chamar assim, mas fica claro que as mortes são reproduções de ataques e métodos de caça de animais selvagens, o que choca é o primeiro assassinato mostrado, já uma obra de um copiador haja vista que Jeanne está presa. A vitima foi castrada e decapitada, tal qual o louva-Deus macho após copular com sua fêmea e ser brutalmente morto durante o ato. Isso já nos leva a entender o motivo da mídia a chamar assim, por ser a morte mais chocante.

Jeanne é veterinária e conhece os animais, suas mortes vão de Hiena, deixando sua vitima sangrar até a morte. Cobra: quebrando os ossos através da força e o mais engenhoso de todos Crocodilo, afogando sua vítima, dentro do carro. Mas tem de haver um motivo, qual a ligação entre estes oito homens?

Incestuosos, traidores, homens que abandonaram a família. Jeanne faz, ao menos para ela, o trabalho de vingadora, salvadora. Livrando as famílias destes verdadeiros monstros. O que nos deixa mais abismados é a forma fria que Jeanne se refere aos assassinatos:

“Eu gostava de ver o pavor deles. Estavam acordados quando comecei a matá-los. O sofrimento deles, era bom”

Extremamente ciente de seus atos e confessando todos eles após sua prisão, voluntariamente pede para se juntar a equipe que investiga o imitador. Jeanne se vê novamente frente a frente com Ferraci e pede que seu filho, também policial esteja na equipe. Damiem reluta, mas aceita estar ao lado de sua mãe 25 anos depois de sua prisão.

Durante os seis episódios a relação deles é extremante profissional, somente nos minutos finais, quando os motivos de Jeanne ser o que é são mostrados. Vemos que tudo tem um motivo e os da Louva-Deus são os mais complexos e corretos, se é que podemos definir como correto o ato de matar.

A Louva-Deus é um aviso, um chamado para o que pode ocorrer com a mente humana depois de anos de abusos físicos e psicológicos. Somos apresentados a um monstro, mas terminamos com uma heroína, destinada a tudo para se livrar de seus leões. Espero que tenha uma segunda temporada e que A louva-Deus volte a atuar juntamente com a polícia, pois ela sim, conhece a mente de um assassino que busca sangue.

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Crítica | Um Lugar Silencioso

Fazia tempo que eu não assistia um bom filme de terror. “Um lugar silencioso” não só preencheu essa lacuna como apresentou o tipo de terror que mais me agrada.

Resultado de imagem para um lugar silenciosoO suspense que toma conta do filme trás consigo uma tensão absoluta, a limitação dos personagens ao não poderem emitir qualquer ruído me tomou de assalto. Ao ponto de eu me pegar prendendo a respiração em determinadas cenas para não chamar atenção das criaturas.

O cenário pós apocalíptico é fantástico e pode soar muito familiar para aqueles que jogaram o game “The Last of Us”. Das noticias dadas pelos jornais, ao visual do protagonista, passando por determinadas características das criaturas.

Resultado de imagem para um lugar silenciosoA história se desenvolve e com ela a tensão só aumenta, após a perda do caçula, uma nova gravidez é descoberta e com a notícia é impossível não pensar ” Como eles vão ter uma criança sem fazer barulho?”. Acredite, esse é o menor dos problemas da família.

Existem outros sobreviventes no mundo e isso é evidenciado por mais de uma vez ao longo da trama, embora o foco da história seja mesmo o casal e seus três filhos. O ponto alto da história vem com a descoberta da fraqueza das criaturas em um golpe de sorte, e quando você finalmente solta o ar que estava preso o filme todo e pensa ” Agora sim, hora de explodir a cabeça desses Demogorgons fajutos “. O filme acaba.

Resultado de imagem para um lugar silenciosoFrustrante não? Não! O filme é incrível e no meio de toda tensão, medos e problemas, nós vemos uma família unida e vencendo as adversidades. A falta de diálogo em um filme que grande parte das falas é dita através de sinais, pode incomodar algumas pessoas. Mas em momento algum o filme perde o ritmo, nem mesmo quando acelera com as cenas de ação.

Algumas pontas soltas são deixadas:

  • De onde vieram as criaturas?
  • São Aliens ou atravessaram uma passagem do Mundo Invertido?
  • Como estão os outros sobreviventes?
  • Como ficará a guerra contra as criaturas agora que seu ponto fraco foi descoberto?

Certamente o filme não precisa dessas explicações para ser ótimo, mas para quem gostou do enredo e se interessa em se aprofundar nesse universo repleto de detalhes a serem explorados, aqui vai uma boa notícia.

O filme foi um sucesso no mundo inteiro e teve sua continuação confirmada!

Leia mais em: http://www.geekstart.com.br/assistir/filmes/um-lugar-silencioso-tera-sua-continuacao

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O Escravo de Capela – Resenha

Quando pegamos um livro que nos prende do começo ao fim acabamos por nos envolver a ponto de sentir cada som, toque. No caso de Escravo de Capela, cada chibatada é uma lembrança dos traumas enraizados em nosso sangue. Para um país que viveu a realidade contida nas páginas desta ficção, lê-lo é como sofrer no tronco.

Sinopse:

Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore. Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em “O Escravo de Capela”, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

Marcos DeBrito tem uma escrita incrível, tratando-se de terror que é seu gênero favorito, fez com maestria uma narrativa incrível. Toda a ambientação foi friamente calculada para nos levar diretamente ao canavial da Fazenda Capela, a crueldade dos patrões e a servidão dos negros relatada como um filme. Nos leva frame a frame para uma nova descoberta.

O Autor:

 Cineasta premiado, Marcos DeBrito vem sendo considerado a grande renovação na produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham à cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus demônios e calar as vozes que não o deixavam em paz. O destaque de sua produção está na crueza como retrata as diferentes faces do mal, mas não é apenas isso. Todas as suas histórias contêm elementos de mistério e surpresas que desafiam o público a desvendar a mente dos personagens. Diretor, roteirista e escritor, tem já publicado os livros: À Sombra da Lua, Condado Macabro, O Escravo de Capela e A Casa dos Pesadelos. No cinema, foi o responsável pelo slasher brasileiro Condado Macabro.

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Quando iniciei a leitura de Escravo de Capela, nunca imaginei que uma lenda de nosso folclore fosse se tornar tão tenebrosa. A se pensar de um personagem brincalhão e arteiro, Marcos DeBrito transforma o perneta escarlate em uma ferramenta de vingança e sadismo. Acabando com o mal, pelo mal, destruindo os responsáveis pela dor dos escravos da fazenda Capela da pior forma. Assustando-os e levando-os a duvidar de seus próprios olhos, não só os personagens, mas os leitores se assustam a cada morte promulgada pelo monstro dentro do redemoinho de vento, as revelações finais nos fazem suar a espinha e arrepiar os pelos da nuca.

Uma narrativa envolvente e necessária para todos que gostam de terror e anseiam conhecer mais sobre nosso passado cruel.

Concluí a leitura no Parque da água branca, em São Paulo, um ambiente propício para finalizar este terror devido a casa velha de fazenda e o bambuzal repleto de histórias. Tirei algumas fotos que representam este cenário. Espero que gostem.