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Como Tom Taylor tem transformado a bat-família em símbolo de esperança

by Omelete

29th September, 2021

Roteirista de Asa Noturna e Batman: The Detective vem destacando otimismo e companheirismo em suas revistas

Tom Taylor é hoje um dos nomes mais versáteis do mundo dos quadrinhos. O roteirista tem se destacado em diferentes gêneros, que vão do suspense policial de Batman: The Detective à fantasia de Seven Secrets, passando pelo terror de DCeasede contos de amadurecimento como Novíssima Wolverine. Agora no comando da elogiadíssima nova fase de Asa Noturna, o quadrinista tem conquistado o público graças a um feito relativamente improvável: mudar o significado do morcego usado por Batman e sua família de medo para esperança.

Fãs desavisados podem até estranhar o otimismo que Taylor tem injetado em seu retrato de Dick Grayson, Barbara Gordon, Bruce Wayne e companhia, já que os últimos anos da bat-família não foram nada fáceis. O Batman foi largado no altar e teve sua fortuna roubada pelo Coringa; a Batgirl foi atacada pela inteligência artificial que ela mesma criou e viu o pai ser transformado em uma versão do Coringa pelo Batman-Que-Ri; e o próprio Asa Noturna só voltou recentemente ao seu manto, tendo passado meses sem memória depois de ser baleado na cabeça. Ainda assim, o roteirista vem abordando essas dificuldades com sua característica leveza e bom humor, tirando um pouco do aspecto sombrio que na qual a marca vinha mergulhando.

O primeiro exemplo dessa leveza vem em Batman: The Detective, que mostra um Bruce Wayne mais velho e solitário que deixa Gotham para investigar um atentado aéreo que vitimou apenas pessoas que ele já havia salvado no passado. Apesar da premissa triste, Taylor consegue transformar o Batman em um herói mais solto, apegado à memória de seus filhos e de Alfred, e mais preocupado em salvar o maior número de pessoas possível do que com sua “guerra”. Diferente do Bruce amargurado e violento de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, o Batman de Taylor ainda confia em seus parceiros e amigos e se deixa sorrir até com certa frequência, seja por causa da determinação mostrada pela Escudeira de defender sua mentora ou porque acabou de derrotar um fantasma no soco.

Embora parta de um princípio inegavelmente sombrio, Taylor foca nas características paternas e de detetive do Batman, algo que muitos de seus colegas já preteriram em favor de histórias mais violentas regadas a planos mirabolantes de super-vilões. Aqui, o roteirista coloca Bruce no chão, cuidando de desconhecidos e reconhecendo o próprio trabalho até com certo orgulho.

Essa mudança de tom atinge outro patamar em Asa Noturna, que Taylor assumiu em março deste ano. Em um giro de 180° do período melancólico de Dan Jurgens, Travis Moore e Nick Filardi, o roteirista devolveu a paixão por salvar Blüdhaven a Dick. Seja com máscara ou não, o ex-trapezista volta ao papel de líder, irmão e parceiro com seu icônico sorriso por proteger os mais fracos no rosto. Sua relação com Tim Drake e Barbara também é destacada, assim como um hilário grupo de mensagens com seus bat-familiares, que lembra que os Robins e as Batgilrs, apesar de seus mantos pesados, ainda são jovens que gostam de se divertir e inspiram uns aos outros.

A revista também explora outras maneiras, talvez vistas como pequenas em um universo de invasões alienígenas e combates entre divindades, de se tornar um herói. Ao longo das seis edições de Asa Noturna sob o comando de Taylor, Dick resgata um cachorro abandonado (a perfeita Bitewing), ajuda a alimentar e abrigar moradores de rua e cria uma fundação que usará sua recém-adquirida fortuna para ajudar pessoas necessitadas em Blüdhaven e encerrar o ciclo de violência que domina a cidade.

Com sua interpretação menos sombria dos personagens, Taylor nos lembra que, mais do que vigilantes ou soldados, a bat-família é formada por jovens heróis e ídolos e que, assim como eles, todos podemos encontrar forças para sorrir até nas situações mais difíceis. Mais do que isso, o roteirista nos entrega uma forma mais real do heroísmo, que não depende de collants ou armamento personalizado, mas de humanidade, compreensão e esperança no melhor das pessoas.

via Omelete


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