Crítica | A Louva-a-Deus

Uma mãe, um monstro ou uma heroína?

“A única coisa que fiz foi livrar o mundo de homens nojentos. Não me arrependo, fiz um bem”

Jeanne Deber

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Em Paris a polícia procura um psicopata cujos assassinatos são inspirados por Jeanne Deber, conhecido como “A louva-a-deus”, uma famosa serial killer que aterrorizou o país há 25 anos. Jeanne Deber oferece sua expertise para a polícia para ajudar a caçar a imitação. Colocada em confinamento solitário desde sua prisão, “A louva-a-deus” tem uma condição: a de lidar apenas com o Detetive Damien Carrot, seu distante filho. Damien não tem escolha, um serial killer está à solta e pode atacar a qualquer momento, em qualquer lugar em Paris.

Um verdadeiro choque de realidade, é o que esta série nos dá. A Louva-Deus nos mostra algo fora do comum. Inúmeros livros, filmes e até séries apresentam Serial Killers masculinos munidos de força e grosseria, desta vez, temos inteligência “delicadeza” e uma mulher cujo os motivos ficaram enterrados por 25 anos esperando a hora certa para concluir sua jornada. Seria ela uma aranha?

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Oito é um número que Dominique Feracci nunca irá esquecer, pois foram estes os assassinatos cometidos pela Louva-Deus na década de 90 que o fizeram percorrer Paris atrás do que para ele, era um monstro. Mas porque Louva-Deus?

Na série não é dito o motivo da mídia a chamar assim, mas fica claro que as mortes são reproduções de ataques e métodos de caça de animais selvagens, o que choca é o primeiro assassinato mostrado, já uma obra de um copiador haja vista que Jeanne está presa. A vitima foi castrada e decapitada, tal qual o louva-Deus macho após copular com sua fêmea e ser brutalmente morto durante o ato. Isso já nos leva a entender o motivo da mídia a chamar assim, por ser a morte mais chocante.

Jeanne é veterinária e conhece os animais, suas mortes vão de Hiena, deixando sua vitima sangrar até a morte. Cobra: quebrando os ossos através da força e o mais engenhoso de todos Crocodilo, afogando sua vítima, dentro do carro. Mas tem de haver um motivo, qual a ligação entre estes oito homens?

Incestuosos, traidores, homens que abandonaram a família. Jeanne faz, ao menos para ela, o trabalho de vingadora, salvadora. Livrando as famílias destes verdadeiros monstros. O que nos deixa mais abismados é a forma fria que Jeanne se refere aos assassinatos:

“Eu gostava de ver o pavor deles. Estavam acordados quando comecei a matá-los. O sofrimento deles, era bom”

Extremamente ciente de seus atos e confessando todos eles após sua prisão, voluntariamente pede para se juntar a equipe que investiga o imitador. Jeanne se vê novamente frente a frente com Ferraci e pede que seu filho, também policial esteja na equipe. Damiem reluta, mas aceita estar ao lado de sua mãe 25 anos depois de sua prisão.

Durante os seis episódios a relação deles é extremante profissional, somente nos minutos finais, quando os motivos de Jeanne ser o que é são mostrados. Vemos que tudo tem um motivo e os da Louva-Deus são os mais complexos e corretos, se é que podemos definir como correto o ato de matar.

A Louva-Deus é um aviso, um chamado para o que pode ocorrer com a mente humana depois de anos de abusos físicos e psicológicos. Somos apresentados a um monstro, mas terminamos com uma heroína, destinada a tudo para se livrar de seus leões. Espero que tenha uma segunda temporada e que A louva-Deus volte a atuar juntamente com a polícia, pois ela sim, conhece a mente de um assassino que busca sangue.

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