GeekView | Os 13 Porquês: livro x série

31 de março de 2017:  “Os 13 Porquês” chega à Netflix. Quando li o livro de Jay Asher pela primeira vez, há mais de 6 anos, as notícias eram que Selena Gomez e sua mãe, Mandy Teefey, tinham comprado os direitos da obra e seria feito um filme no qual Selena seria Hannah Baker (e na época, cotado como Clay estava Logan Lerman). Enfim, em 2017 saiu a adaptação, só que na forma de uma série, sem Sel como protagonista, uma vez que agora se vê muito envolvida na história por acontecimentos pessoais e busca certo distanciamento para não enviesar sua performance.

O livro, um suspense dramático, conta a história de uma adolescente (Baker) que após uma série de acontecimentos, decide tirar sua própria vida e deixa 13 fitas cassetes destinadas a pessoas que, segundo ela, foram responsáveis para a tomada dessa decisão. O livro é narrado do ponto de vista de Clay, rapaz que sempre foi apaixonado por Hannah e não consegue entender o porquê de ter recebido as fitas.

O foco aqui é abordar a relação livro x série. Não considero que contenha spoilers, apenas relatos do desenrolar da trama. Mas se tiver receio de ler, volta aqui quando terminar de assistir!

Começando por Clay Jensen. Mês passado quando reli o livro, mudei radicalmente de opinião sobre ele. Se aos meus 16 anos o achei fofo, agora aos 23 o considero relutante em aceitar seu próprio comportamento e até mesmo apático, por se ver como um potencial salvador no presente, mas sem tomar nenhuma atitude enquanto as coisas se desenrolavam de fato.

Clay, no livro, ouve todas as fitas de uma vez. Na série, Jensen tem muito receio de ouvi-las, argumentando que é muito difícil para ele. Mas, na minha opinião, esse corte entre uma fita e outra, e todas as interrupções, além do excessivo contato que o personagem teve com outros, diminuiu a intensidade da tristeza que ele carregava, deixando mais espaço para raiva e a vontade de fazer justiça, como se isso pudesse de alguma forma honrar Hannah.

Não digo que isso é pior, ou melhor, mas é algo a se destacar. Algo que posso dizer que não gostei foi a romantização do relacionamento entre Clay e Hannah. No livro, é muito ressaltado o quanto ele quis se aproximar dela, mas nunca o fez, e como só conversaram de verdade uma única vez, pouco antes dela se suicidar.

Outra questão diferente, e essa acho que para melhor, foi a importância dada a cada personagem da história, uma vez que no livro eles são apresentados apenas pelo ponto de vista de Hannah e Clay. Embora eu tenha achado que isso tenha deixado Hannah um pouco de lado, diminuindo ligeiramente seu sofrimento, e tenha dado menos empatia aos demais personagens, foi importante não para justificar suas ações, mas para entender que todos têm suas questões, e são afetados de formas diferentes por elas.

Um sofrimento não é maior ou menor que outro. Mas acho que a lição a ser passada aqui é justamente a empatia, a solidarização com o próximo. Lendo ou vendo “Os 13 Porquês”, tendemos a pensar que nunca faríamos nada como Bryce, Alex, Jessica ou Courtney. Mas será que não?

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