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Komi-san Can’t Communicate | Conheça o anime sobre distúrbio de comunicação

by Omelete

15th Novemeber, 2021

Com um humor e muito exagero, anime da Netflix retrata as dificuldades de socialização dos jovens

Komi-san Can’t Communicate, ou Komi-san Wa Comyushou Desu no original, chama a atenção pelo quão diferente ele é dos shonens que costumam conquistar fama por aqui. Enquanto boa parte das histórias de sucesso se baseiam em tramas com personagens guerreando com poderes mágicos, essa aqui se caracteriza por ser uma boa comédia sobre as dificuldades de convivência entre adolescentes, tudo sob o ponto de vista de uma garota com um distúrbio de comunicação.

Como o anime está prestes a ser lançado mundialmente pela Netflix essa é a hora ideal para conhecer Komi-san Can’t Communicate, uma série que tem tudo para chamar a atenção dos otakus nessa próxima temporada de animes.

Uma protagonista com dificuldades

Após lançar algumas histórias curtas, o autor Tomohito Oda teve a chance de publicar em 2014 sua primeira série de mangá nas páginas da Shonen Sunday, revista de onde nasceram clássicos como Detective Conan e InuYasha. Como nem tudo dá certo na vida, seu mangá Dezi-Con, uma história misturando baderneiros e alienígenas, não foi tão bem recebido e acabou com apenas três volumes encadernados. No ano de 2015 ele publicou mais uma história curta, dessa vez sobre uma garota com problemas de comunicação, e foi ali que nasceu seu grande sucesso Komi-san Can’t Communicate.

Atualmente com 22 volumes encadernados, a série de comédia mostra a vida de Komi, uma adolescente que frequenta a escola como tantos outros de sua idade. No entanto, Komi tem um problema em especial: ela sofre de um distúrbio de comunicação que dificulta se relacionar (e até conversar) com outras pessoas, mas sua vida muda quando conhece seu colega de classe Tadano.

O personagem, vítima de muitos trocadilhos no Brasil por conta da sonoridade de seu nome, tem como principal característica ler muito bem o ambiente, algo que usa para propositalmente passar despercebido. Ao usar esse seu “dom” na sala de aula, Tadano identificou que sua colega Komi não é uma garota esnobe, e sim alguém com dificuldades de conversar com outras pessoas. Exercitando sua paciência (e contando com a ajuda de uma lousa), Tadano consegue conversar com Komi e descobre o distúrbio da colega.

Após formar um laço de amizade sincero, o jovem decide ajudar Komi a ser mais comunicativa e realizar seu sonho: ter 100 amigos. E não será uma tarefa fácil, pois Komi se comunica basicamente escrevendo num caderno ou com gestos, isso quando não emite alguns ruídos de palavras incompletas. Pra piorar, o pessoal da escola tem uma visão totalmente errada da garota e a consideram quase uma divindade, por causa de sua beleza e presença.

Além da premissa simples, o mangá de Komi-san Can’t Communicate segue um formato diferente dos demais títulos da Shonen Sunday. Os capítulos são irregulares, ágeis e com tamanho bem menor que um capítulo de outros mangás da revista, como MAO e Major 2nd. Com isso, os volumes encadernados de Komi-san Can’t Communicate também trazem bem mais capítulos, quase 20 em cada edição sem contar os extras.

A jornada de Komi-san

Komi-san Can’t Communicate é uma história interessante por abordar um assunto pouco usual através de uma comédia de costumes. Em cada capítulo, vemos Komi tentando ultrapassar algumas de suas limitações com a ajuda de Tadano, e à medida que o autor vai introduzindo mais personagens a história vai ficando mais rica no que se refere às “relações interpessoais”.

A segunda amizade de Komi é Najimi Osana. Completo oposto de Komi, a personagem não-binária tem uma habilidade incomum de ser muito sociável e ter facilidade de formar laços de amizade. Sua popularidade é tamanha que é necessário muito esforço e logística para conseguir organizar seu horário de intervalo, afinal Osana precisa interagir com todas as suas amizades no colégio.

Mas é na terceira amizade que vamos percebendo para onde a história vai. Himiko Agari é mais uma aluna da sala de Komi, e essa também tem dificuldades de comunicação. Agari tem uma habilidade quase sobre-humana de identificar quando estão olhando para ela, e isso já é o bastante para lhe paralisar. Agari pensa muitas vezes antes de falar alguma coisa, evita responder perguntas dos professores (mesmo sabendo a resposta), tudo isso por não conseguir tomar atitude. Seu nervosismo lhe afeta tanto que Agari até sente dores estomacais quando acredita que os demais estão julgando sua pessoa.

Se pensarmos que a socialização é como se fosse uma batalha para os personagens dessa história, Komi-san Can’t Communicate seria como um shonen de lutinha no qual as pessoas têm como poderes as suas habilidades sociais. Enquanto para Komi lhe falta todas as habilidades, e por isso ela precisará passar por um “treinamento”, os demais personagens todos têm algum ponto de destaque e estão lá para ajudá-la a evoluir. Tadano é mestre em ler o sentimento do ambiente, Osana tem facilidade de criar laços e por aí vai.

Através de um humor simples, o autor consegue mostrar com bastante fidelidade o que se passa na cabeça de uma pessoa com problemas de socialização. Uma das mais emblemáticas acontece quando Komi está andando pela rua e o mangaká usa dois quadrinhos lado a lado para mostrar como a protagonista se enxerga em uma situação e como os demais veem aquilo. Aos olhos das pessoas da escola, Komi desfila pela rua como uma beldade inatingível, porém quando vemos a mesma cena na cabeça da garota descobrimos que ela se vê como se todos estivessem fofocando sobre ela.

Komi-san, você é um sucesso

O próprio mangá mostra como todas as pessoas têm algum nível de problema de socialização, inclusive as pessoas populares como Osana, e isso já mostra como é fácil se identificar com os personagem de Komi-san Can’t Communicate. E como esse sentimento não é exclusivamente japonês, e sim natural do ser humano, isso ajudou o título a ser lançado em vários lugares do mundo, como Estados Unidos, Europa e na Argentina (lá lançado com o título traduzido “Komi-san no puede comunicarse“, algo como “Komi-san não consegue se comunicar”).

Falando sobre tradução, vale destacar que Tomohito Oda aproveitou o fato de Komi-san Can’t Communicate ser uma comédia para inseririr um monte de trocadilho nos nomes. O “comyushou” do título original vem de “problema de comunicação“, e o próprio nome da protagonista vem da palavra “communication“. Já “Hitohito”, o primeiro nome de Tadano, usa dois kanjis diferentes para cada “hito“, ao mesmo tempo que seu nome é uma brincadeira com a frase “uma pessoa normal“.

Após alguns anos de publicação nas páginas da Shonen Sunday, o estúdio OLM (de Pokémone Yo-Kai Watch) anunciou em maio de 2021 que Komi-san Can’t Communicate ganharia uma versão animada no mesmo ano, e algum tempo depois foi revelado que o destino do anime seria a Netflix. O serviço de streaming inclusive usará Komi-san Can’t Communicate como teste para um “novo” formato de lançamento de anime, com episódios lançados em uma periodicidade definida em vez de disponibilizados todos de uma vez. Isso fará com que a animação não demore tanto para ser lançada depois do Japão, algo que afetou Shaman King e Edens Zero.

O primeiro trailer animado de Komi-san Can’t Communicate impressionou os fãs por sua qualidade técnica. O anime captou bem a linguagem do mangá e parece ter mantido o ritmo rápido ao mesmo tempo que transporta bem os momentos mais líricos da história. No campo dos atores de voz, Aoi Koga (a Kaguya Shinomiya de Kaguya-Sama: Love is War) foi chamada para interpretar as (poucas) falas de Komi enquanto Gakuto Kajiwara (o Asta de Black Clover) ficou responsável por viver Tadano na animação.

Além do anime, Komi-san Can’t Communicate ainda ganhou um doramalançado na emissora japonesa NHK, mas as chances dele chegar ao ocidente não são muito promissoras. O jeito é torcer para o anime ir bem na Netflix para que mais coisas da personagem cheguem ao Brasil.

Um assunto recorrente

O objetivo da protagonista de Komi em Komi-san Can’t Communicate é ter 100 amigos, e curiosamente não é um objetivo tão incomum nos animes e mangás japoneses. As séries de ação (os famosos “shonens de lutinha”) como Dragon Ball e Naruto têm como pano de fundo a importância dos laços de amizade dos personagens, mas algumas séries falam ainda mais abertamente do tema. Enquanto One Piece o faz de forma mais “discreta” ao trazer um protagonista cujo sonho é reunir companheiros para sua jornada, Edens Zero é mais descarado e coloca o Shiki dizendo abertamente que seu sonho é encontrar amigos após viver tanto tempo solitário em uma ilha de robôs.

Mas não pense que apenas séries de fantasia colocam amizade como o maior tesouro que a pessoa pode conquistar, pois produções mais “pé no chão” também usam esse recurso. O anime Hitoribocchi no Marumaruseikatsu, disponível no Brasil pela Crunchyroll, mostra os desafios encarados por Bocchi Hitori (“sozinha” em japonês) em sua jornada de vencer a ansiedade e fazer amizade com todas as pessoas de sua sala antes da formatura. Aparentemente, é mais comum do que parece ter algum tipo de dificuldade de socialização, o que reflete no tema aparecendo em vários animes e mangás.

Caso tenha se interessado por Komi-san Can’t Communicate, o anime será lançado mundialmente pela Netflix em 21 de outubro. Embora o serviço tenha confirmado dublagem em 8 idiomas, ainda não sabemos se o Brasil receberá essa versão localizada com vozes brasileiras.

Komi-san Can’t Communicate não é uma série perfeita, inclusive a abordagem sobre gêneros com Najimi Osana às vezes esbarra em algumas piadas controversas, mas ainda assim é um anime interessante para refletirmos sobre as dificuldades de socialização na sociedade e para torcermos pelo progresso pessoal de Komi na busca por amizades.

via Omelete


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