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Loki para presidente? Conheça minissérie que quase colocou vilão no Salão Oval

by Omelete

9th August, 2021

Se na série do Disney+ o Deus da Trapaça falhou miseravelmente no seu plano de dominação, nas HQs ele ficou bem perto de comandar os Estados Unidos

“Jornada ao Mistério” entregou um dos mais aguardados easter eggs de Loki: a contraparte do Deus da Trapaça que concorre à presidência dos Estados Unidos. Contudo, diferentemente do que se especulou desde suas primeiras prévias, a série não foi muito longe na adaptação da minissérie Vote Loki, lançada em 2016. Na realidade, o plano do vilão cai por terra bem rápido, quando percebe que se ele não é confiável, talvez nenhuma das suas variantes seja também. Já nas quatro edições assinadas pelo roteirista Christopher Hastings e o artista Langdon Foss, Loki chega bem perto de assumir o Salão Oval. Para sua surpresa, porém, dias antes da eleição, é superado com um golpe que nem ele mesmo foi capaz de prever.

Com quatro edições, a minissérie satiriza a figura do salvador da pátria, neste caso simbolizada pelo herdeiro de Jotunheim. Aproveitando-se de um clima político difícil nos Estados Unidos, em que os eleitores estão cada vez mais desconfiados sobre seus representantes, Loki vê a chegada da eleição como uma oportunidade de chegar ao poder — afinal de contas, os Estados Unidos são a terra das oportunidades.

De cara, ele se destaca dos demais políticos por ser “honesto”. “America, se eu fosse seu presidente, eu teria coragem de mentir na cara de vocês e vocês adorariam”, ele diz, antes mesmo de oficialmente se juntar à corrida presidencial. Claro que a declaração não é por acaso: tudo faz parte do seu grande plano de dominação. Mas, inocentemente, eleitores e imprensa caem no seu papo e começam a ventilar os rumores da sua candidatura. A cada aparição, quer seja elogiosa ou não, suas chances aumentam. Porque não importa o furo sobre sua índole ou intenções, o Deus da Trapaça — agora, na realidade, se autodenominando Deus das Histórias — consegue manipulá-la a seu favor.

Nise Contreras é a repórter mais determinada a mostrar para o público as mentiras de Loki. Ela foi pessoalmente afetada pelas picaretagens dele, pois foi em uma batalha do vilão contra os Vingadores que sua vizinhança foi destruída. Por isso, quando ele se aproxima, tentando convencê-la a se juntar à sua plataforma, ela usa a oportunidade para escrever uma matéria investigativa sobre sua campanha.

Apesar das palavras terem poder, elas não se comparam a poderes mágicos. Espertamente, Loki faz com que o editor de Contreras mude apenas a manchete e isso é suficiente para beneficiá-lo. Afinal, alguém ainda passa dos títulos de uma matéria? Certamente não a Thor, que vai até a casa de Nise cobrá-la sem sequer ter lido a primeira frase do texto.

A jornalista não desiste. Ela, então, descobre um escândalo: os funcionários da campanha de Loki formaram um culto e tentam fazer magia com um bode. Mas, mais uma vez, seu esforço foi em vão. O candidato tem a seu favor o fato de que é um Deus, logo não podem impedir seus seguidores de cultuá-lo.

Mas, mais do que rebater, Loki usa as investidas da imprensa para colocar os eleitores contra todos os canais de mídia. “Eles os chamam de loucos. Burros”, ele afirma em um comício, validando os sentimentos, sobretudo a revolta, da sua plateia. Ele continua, lançando o lema “Estou aqui para tornar as coisas sãs novamente” — em inglês, “I’m here to make things sane again”, um claro eco da famosa frase de Donald Trump, “Make America Great Again”. Por último, mas não menos importante, ele também consegue controlar as situações adversas porque tem ao seu lado Angela, sua poderosa irmã, para fazer o serviço sujo, caso seja necessário. E como é necessário.

“Estou aqui para tornar as coisas sãs novamente”, Loki grita para o público

Até dias antes da eleição, nada parecia derrubar Loki. Debates, reportagens, comentaristas políticos… Ninguém faria diferença para mudar a opinião do eleitorado. Nem de um lado, nem de outro. Os ânimos estavam tão exacerbados que as pessoas estavam indo às ruas para quebrar tudo e saindo na mão com qualquer um que discordasse do seu posicionamento político.

Generoso como é, o Deus tenta provar suas boas intenções depois da última tentativa de Nise de desmascará-lo — dessa vez, com a ajuda de Thor e da própria Angela — e a leva, contra a sua vontade, para entrevistá-lo diante de seus apoiadores. Cansada de cair nos joguinhos dele, a repórter se nega e propõe que ele responda às perguntas dos seus eleitores em potencial. Ele topa, subestimando a inteligência deles. E é aí que desmorona não apenas sua arrogância, como também sua candidatura. Porque seus apoiadores estão realmente interessados nas suas propostas: como ele pretende resolver o problema do sistema de saúde? Ele vai respeitar o Congresso ou vai passar por cima das suas decisões? E qual é a sua posição sobre o registro de mutantes?

Ao não ter uma resposta pronta, capaz de agradar a todos, ele enterra suas chances de vencer a corrida presidencial. Quer dizer, ele até ganha em alguns estados americanos, mas não tem delegados suficientes para amedrontar seus adversários políticos. Em vez de simplesmente admitir a derrota, Loki segue sendo Loki e mantém a pose arrogante para Nise. Ela, porém, está satisfeita de ter cumprido seu papel e, com isso, ganhado uma bela oportunidade na TV. E, tão abruptamente quanto chegou, o Deus da Trapaça vai embora.

Vote Loki é cheia de pequenas reviravoltas e humor, mas seus numerosos paralelos com a história recente dos Estados Unidos estão longe de serem por acaso. A minissérie foi publicada meses antes da eleição presidencial, quando os próprios leitores sentiam na pele o clima político acirrado. Por isso, o subtexto sobre o perigo das fake news, o malabarismo argumentativo para justificar o injustificável e o esvaziamento do debate político batem tão forte. Porque ele não é ficcional.

Na série do Disney+, porém, o Loki protagonista já entendeu que a busca incessante pelo poder, sem medir as consequências, não vale a pena. Em vez de cultivar desejos de tirania, ele está disposto a minar os objetivos nada benevolentes da figura por trás do AVT — quem quer que ela seja. Se ele e Sylvie serão bem-sucedidos, só descobriremos na semana que vem, no último episódio. No entanto, é difícil que seu destino seja pior que o do Loki candidato, cuja arrogância foi recompensada com uma briga generalizada que, no mínimo, o fez perder uma mão.

via Omelete


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