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Crítica | Livro: O Despertar da Fênix – Marlon Souza

O Despertar da Fênix é o primeiro livro d’As Crônicas de Elf Regnum, escrito por Marlon Souza. Marlon é conhecido nosso por causa dos eventos que ele organiza com uma galera, o LiteraCaxias. Comprei o livro dele em uma edição do Litera, e já aproveitei pra pegar um autógrafo e material promocional, o mapa de Elf Regnum e marcador de páginas.

A fênix irá despertar…

Uma fada lança uma profecia sobre o futuro de toda Elf Regnum. Sassas tem uma vida perfeita, e de um momento para outro toda sua inocência e esperança são perdidas. Em uma trama para usurpar o trono do rei, Eve se alia a ogros e reúne um grupo de elfos para marcharem até o Palácio Real, a fim de se tornar o novo Rei. Natan é príncipe e único herdeiro de Elf Regnum. Porém, presenciando as grandes proporções que uma súbita batalha está tomando, é obrigado a fugir junto de sua mãe. Mas, a fase mais importante de sua vida chegou, a maioridade élfica, onde seus talentos de manipulação começam a aparecer.

Sendo perseguido por elfos e ogros, precisa lutar pela sua vida. Até que algo surpreendente acontece e ele recebe o poder para revidar.

Eu sou apaixonada por fantasia. Amo a mistura do real com mitos e a áurea mágica que esse tipo de ficção traz e Marlon se saiu muito bem nessa conjunção. A história dele é muito concisa, e muito bem amarrada. Um exemplo são os nomes dos personagens, todos são palíndromos, conferindo uma característica única à obra e nomes belos e diferentes. O livro traz aspectos familiares, como a divisão por tribos de elementos da natureza e personagens angustiados por viverem à sombra de outros, tornando-os de fácil identificação e coerentes.

O trabalho de arte do livro é belíssimo, cada parte da capa, até o mapa do reino. De repente só caberia uma nova revisão por parte da editora. No mais, indico muito a leitura de O Despertar da Fênix. Sem pressão, Marlon, mas pode mandar o próximo! Hehe.

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Análises

Análise | A distopia como reflexo das relações sociais

Febre da distopia

Atualmente, muitos livros de distopia têm sido publicados. E esta não é a primeira vez que esta onda distópica acontece, tendo ocorrido algo semelhante no período das grandes guerras mundiais. Agora, no início do terceiro milênio, dominando as vendas em literatura juvenil, este gênero ressurge. Junto com ele, vem as questões: por que esse discurso está sendo valorizado novamente, ao invés de outros? E por que ele tem atraído a atenção dos jovens?

Para tentar responder essas questões e ilustrar melhor esse cenário, foi feita uma comparação entre livros das duas épocas citadas acima. Escritas entre as décadas de 40 e 50 temos 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Já entre as atuais, temos a trilogia Jogos Vorazes, escrita por Suzanne Collins e a trilogia Destino, de Ally Condie. As obras foram analisadas qualitativamente por uma técnica chamada Análise de Conteúdo, que identifica as chamadas “unidades temáticas”, elementos em comum comuns nos textos analisados.

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Para entender distopia, vamos destrinchar um pouco a utopia. Ela é caracterizada como um ideal de sociedade alternativa à que se vive, o sonho de uma vida melhor, mais justa, e também, na maioria das vezes, inalcançável ou imaginária. É bom esclarecer que nem sempre a utopia é algo bom para todos os envolvidos neste projeto, pois, por serem reformas pensadas de forma verticalizada, o poder muitas vezes é exercido de forma a retirar de uma parcela da população o direito de decisão sobre suas vidas. Por exemplo: regimes totalitários, como o nazismo e o fascismo, possuíam planos de purificação tendo como objetivo uma sociedade em perfeito funcionamento, livre de diferenças, caracterizando um modo de pensamento utópico.

Definir distopia é um pouco mais complicado, porque não há uma definição unânime para seus estudiosos. Utilizamos o conceito de distopia como uma falsa utopia, uma vez que obras estudadas, em sua maioria, apresentam suas sociedades como aparentemente boas e perfeitas, escondendo esquemas de controle por detrás de um governo autoritário. Desta forma, foi necessário investigar os acontecimentos históricos que propiciaram o desenvolvimento do gênero e a identificação do público com as obras.

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Conhecendo as obras

As primeiras obras distópicas estudadas surgiram em meados do século XX, em um período marcado pelas grandes guerras mundiais e o momento entre elas, um momento de expansão industrial, imperialista e bélica, no qual o homem encontrava-se com esperanças acerca dos rumos tecnológicos em curso. Mas esta esperança é abalada à medida que fatores como a fome e a guerra não são erradicados e as indústrias servem para aumentar mais a exploração, além da grande repressão estatal sofrida.

Século XX

É neste período da história que surgem 1984, de George Orwell (escrito em 1948 e publicado em 1949), e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (idealizado em 1947 e publicado pela primeira vez em 1953). Os governos retratados nos livros fazem crer que as regras aplicadas são para o bem comum, mas encobrem a manipulação ideológica e distorção da realidade, vinda não de um inimigo único, mas todo um sistema. Através do controle e da disciplina impostos desenrola-se também um processo de assujeitamento, sujeitos que aceitam passivamente serem controlados, acreditando se tratar de uma forma de cuidado.

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O livro 1984 retrata uma sociedade comunista a-histórica centrada na figura do Grande Irmão, que tudo vê. Nenhum dos habitantes de Oceânia (local onde se passa a estória) parece se lembrar do que ocorreu antes da grande revolução que instaurou o sistema vigente, além de não possuírem um registro fixo de passado. A história está sempre em reconstrução para adequar-se às previsões feitas pelo líder e encobrir das demais pessoas os acontecimentos reais sobre a sociedade. Contando com dispositivos como as teletelas, aparelhos semelhantes a televisões que não só transmitem imagens como também as recebem, entre outros métodos, o Partido observa de perto cada indivíduo de modo a não permitir interações casuais e pensamentos discordantes da ideologia posta.

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Outro romance, Fahrenheit 451, tem sua história passada em um cenário no qual opiniões próprias são desestimuladas por não serem aceitas socialmente e onde livros são proibidos devido ao perigo que apresentam, o que leva ao seu extermínio pelos bombeiros. Um desses bombeiros é Guy Montag, protagonista da história, que segue a profissão de seu pai e avô e acredita estar fazendo a coisa certa ao destruir obras literárias, até ter sua curiosidade atiçada por eles.

Século XXI

Abordando agora as novas distopias, aquelas surgidas no início do século XXI, é importante destacar que seu diferencial em relação àquelas produzidas no pós-guerra é o fato de que estas se voltam ao público juvenil. Elas têm como alvo, jovens entre 14 e 23 anos de sociedades ocidentais em desenvolvimento ou desenvolvidas que, em sua maioria, não experimentaram o exercício de um governo totalitário.

O sucesso de vendas de algumas unidades do gênero com certeza foi um fator importante para a produção dos seguintes. Mas autores acreditam que além disso, fatores como divisão social, concentração de renda, controle social sobre subjetividades, exploração do trabalho humano, modos de ser hedonistas e egocêntricos, além da presença da mídia como agente opressor e alienante ajudam a desenvolver o clima negativista de nosso tempo.

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A saga Jogos Vorazes se passa em um país chamado Panem, reerguido após diversos desastres onde antes se localizava a América do Norte, formado pela Capital, rica (fútil) e tecnológica, e 13 distritos, explorados cruelmente. Insatisfeitos com os abusos sofridos, os distritos se levantaram contra a Capital, mas o fracasso desta insurreição levou à destruição do Distrito 13 e, como punição, a criação dos Jogos Vorazes, reality show onde, anualmente os doze distritos deveriam entregar dois “tributos” (um garoto e uma garota) para lutarem em uma arena na qual o último sobrevivente seria o vencedor.

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Já em Destino, a trilogia da autora americana Ally Condie, Cassia Reyes é uma jovem de 17 anos convicta em tudo o que a Sociedade preparou para sua vida, incluindo sua profissão, a idade em que vai morrer e com quem se casará. Ao participar do Banquete do Par e conhecer seu futuro marido, ela vê que o destino reserva como par seu melhor amigo, Xander. Mas ao chegar em casa e verificar novamente seu cartão de par, quem aparece é Ky, seu antigo vizinho. Ao perceber o que parece ser o primeiro erro da Sociedade, Cassia põe em xeque outras decisões arbitrárias sobre sua vida, e parte em busca do caminho de sua própria história. Diferentemente dos romances já citados, este livro não se trata de um mundo pós-apocalíptico, mas aborda temas como relacionamentos e livre arbítrio.

Logo, é possível ver que a “nova” distopia apresenta uma falsa utopia, organizações sociais aparentando perfeição e eficiência camuflando o controle social, tolhimento de liberdades e alienação, dominadas pela corrupção humana de modo a docilizar corpos.

Analisando os processos pelos quais passam as personagens das novas distopias, é possível notar a presença de um rito de passagem em cada uma delas. Os Jogos Vorazes e o Banquete do Par simbolizam etapas pelas quais os adolescentes passam nessa faixa etária, não sem sacrifício (de sua infância e inocência) ou angústias. Mesmo com a virada distópica e o surgimento de novas obras literárias, permanece o alarme de que, mantidas as condições presentes, o futuro tende apenas a se tornar mais destrutivo, questão que busca incomodar e impactar seus leitores.

A influência social na vida privada

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Na década de 1940, o mundo, principalmente os países ditos desenvolvidos, passa por grandes mudanças com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 e a crescente industrialização, que, assim como a urbanização e a revolução técnico-científica, tiveram seu auge. Este período foi composto de diversas mudanças no cenário global em um pequeno período de tempo.

Baseada nas produções em série, surgiram as práticas massivas entre a sociedade, criando sujeitos submissos e passivos dos acontecimentos políticos de seu tempo. Na Inglaterra de George Orwell, novas tensões surgem, ocasionadas pela destruição de bombas, racionamento de comida no período imediatamente após as guerras, e, também, o desmonte da esperança pela paz, transformado em desespero.

Neste país, através da ajuda cedida pelos Estados Unidos com o Plano Marshall, o programa de nacionalização das indústrias e reestruturação da qualidade de vida, surge um forte impulso para o consumo, assim como nos EUA de Ray Bradbury, materializado, principalmente na forma de aparelhos televisores. O contexto doméstico em quase todas as nações do Ocidente é perpassado por ansiedades e um desejo expresso de reestabelecer a vida matrimonial e familiar, como se vê a partir do baby boom.

Pós-guerra

Nos livros analisados do período pós-guerra, a influência do governo se dá justamente nos relacionamentos afetivos. Em 1984, por exemplo, os casamentos são mera formalidade, já que as famílias se formam com o único objetivo de procriar e gerar futuros servidores do Partido Socing (Socialista Inglês).

A ideia de “família” também se encontra alterada em Fahrenheit 451. Montag leva uma vida infeliz, o que só percebe ao ser questionado por Clarisse, sua vizinha adolescente, e parte disto se deve ao seu casamento com Mildred, uma mulher que não ama. Ele chega a dizer que “se ela morresse, decerto ele não choraria. Pois seria a morte de uma desconhecida”.

Nesta obra, a televisão ocupa também uma posição central na sociedade mas, diferentemente das teletelas de 1984, elas servem apenas para distração e alienação de quem a assiste. Não se trata apenas de uma “telinha”, mas de telas que ocupam por completo as paredes, e, normalmente as quatro paredes de um cômodo, o que leva Mildred a considerar os atores que tanto acompanha como de sua família.

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Pouco se fala sobre relações de amizade em ambos os livros. Em 1984, este conceito parece não existir, restando apenas a camaradagem entre os membros do partido e servidão ao Grande Irmão. Já em Fahrenheit 451, nada se diz sobre possíveis amigos de Guy Montag: vemos apenas Clarisse e Faber como seus mentores para uma vida intelectualizada e as “amigas” de sua esposa, que se reúnem para ver televisão.

Ou seja, interações sociais servem apenas para manter o status quo. Na Oceânia objetivo é esvaziar seus habitantes de modo a preenchê-los com a doutrina do partido. Já em Fahrenheit 451, os relacionamentos vazios não são resultado de práticas do governo, mas apenas ocorrência do desuso, uma vez que as pessoas não viam mais função em conversas. A educação formal nesta última, inclusive, é vista como inútil, obsoleta: “A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?”.

Pós-modernidade

No campo das relações sociais, em nosso tempo, perpassado por tecnologias que nos permitem uma aproximação virtual daqueles que se encontram distantes, percebe-se uma solidão contraditória através de conexões superficiais. Curiosamente, os livros produzidos neste período apresentam relações familiares e amorosas mais permissivas e fluidas quando comparadas aos livros do pós-guerra. Em Jogos Vorazes, por exemplo, as famílias se constituem devido a sentimentos genuínos e, embora algumas normas regrem seu funcionamento, pode-se ver os laços afetivos que unem esses agrupamentos.

Katniss, depois do falecimento de seu pai (o que afetou muito sua família), passou a ser a provedora de casa. Ama muito sua irmã, Prim, o que a faz, literalmente, oferecer sua vida por ela. Além disso, vemos sua amizade com Gale, seu companheiro de caça, com quem compartilha todas as suas inseguranças em relação à vida nos distritos, ao futuro e ao governo da Capital.

Em Destino, as relações familiares são completamente regradas pela Sociedade: os casais são “montados” no Banquete do Par e o número de filhos é previamente determinado. Mesmo assim, é possível perceber a presença de sentimentos e afetividade nas famílias, sendo nos relacionamentos entre casais ou nas relações entre pais-filhos e irmãos.

Os livros escritos no pós-guerra apresentam formações familiares meramente formais e destituídas de conexões afetivas, mesmo sendo este um período notadamente marcado pela busca da reestruturação familiar. Em um estudo sobre o significado do “lar” na Grã-Bretanha pós-guerra, é mostrado que, neste momento, lar é tido um lugar de conforto, onde as pessoas têm suas posses, mas também onde se está na companhia da pessoa ou pessoas que mais se ama.

Já o século XXI é um período marcado em especial por uma sociedade mais fragmentada socialmente e mais ainda ligada ao consumo. Porém, a representação social nos livros, mesmo que formada forçosamente, apresentam o que, por noção geral, constitui uma família: o afeto.

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Uma hipótese para essa aparente contradição é a necessidade, no contexto pós-guerra de reestruturar o país economicamente (no caso da Inglaterra), ou de firmar-se como potência (no caso dos Estados Unidos), sendo para isto primordial a construção de lares e famílias, a fim de estimular e manter os padrões de consumo. Desta forma, pode-se compreender a ausência de afeto em algumas relações familiares e o círculo social restrito aos ambientes de trabalho, já que este era o outro lado da moeda do fortalecimento econômico, posto em prática por estes governos capitalistas.

Nos dias atuais, no período chamado de pós-modernidade, o enfoque do capital, da sociedade e das propagandas recai sobre o indivíduo, de forma mais egoísta: “seja feliz”, “alcance seus sonhos”, “seja o melhor”, “ganhe destaque”. Talvez por isso haja essa tentativa de resgatar a família como base nos livros do século XXI, mesmo que se deva deixá-la eventualmente.

Nestes livros, o círculo social também é bastante valorizado, para além dos ambientes de trabalho, podendo serem vistas conexões também nos momentos de lazer. Um dos motivos para isto talvez seja o cenário de competição vivido na pós-modernidade (retratado também nas obras através dos Jogos Vorazes), e a necessidade de mostrar que mesmo em meio a tanta rivalidade é importante ter amigos com quem se pode contar em meio às adversidades.

Vida amorosa

Em Fahrenheit 451, não há passagens que denotem algum caráter romântico no personagem de Montag, enquanto em 1984, a relação amorosa entre Julia e Winston é o que os leva à ruína. Após receber de Julia um papel onde ela dizia lhe amar, Winston é encorajado a aproximar-se da moça: “A visão das palavras amo você fizera transbordar nele o desejo de continuar vivo, e a ideia de correr riscos menores pareceu-lhe de repente uma burrice”.

Como relacionamentos são proibidos em Oceânia, a união sexual do casal começa como um ato de rebeldia contra o Partido, porém, após algum tempo de convivência revela-se uma afeição genuína entre os dois personagens.

Embora haja sentimento entre Winston e Julia, não há romance, propriamente dito, trata-se de duas pessoas unidas em seus ideais políticos e com a necessidade de permanecerem juntas. Winston, que teme deixar de ser humano e tornar-se um autômato sem sentimentos, pensa que só estaria traindo Julia se fosse obrigado a deixar de amá-la. E é justamente desta forma que o governo mina o relacionamento entre eles, colocando-os um contra o outro.

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Nas novas distopias aqui estudadas não existe a proibição do amor como regra geral entre os governos. Na trilogia de Collins, o romance se dá entre Katniss Everdeen, personagem principal, e Peeta Mellark, seu colega de distrito, como forma de gerar popularidade para os dois, garantindo que conseguirão bons patrocinadores e apoio popular durante os jogos.

Katniss e Peeta são manipulados desde o início, por seus mentores, que os estimulam, desde a primeira aparição pública, a mostrarem-se como aliados, e não adversários, o que contraria as normas. Logo em sua entrevista televisionada inicial, Peeta se revela apaixonado por Katniss. Katniss percebe que nutre sentimentos por ele também, e que já não pode mais perdê-lo: “Porque nós deveríamos estar inventando essa coisa toda, representando nosso amor, e não nos amando de fato”.

As regras para vitória dos Jogos mudam: antes, apenas uma pessoa poderia sair vitoriosa, mas nesta edição, graças aos “amantes desafortunados”, os dois conseguem sair com vida, após ameaçarem cometer um duplo suicídio. Ao permitir este artifício que vai contra todo o seu esquema político, o presidente Snow percebe o ato de rebeldia e, para evitar que este seja interpretado da mesma maneira por pessoas dos distritos, exige que a relação iniciada pelo casal seja mantida.

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Já na trilogia de Ally Condie, todos os relacionamentos entre casais são formados pelo governo, levando mesmo ao banimento (ocorrido de forma velada) àqueles que amavam as pessoas “erradas”. Apesar disso, demonstra-se a existência de amor entre os casais formados compulsoriamente, como os pais da personagem principal, Cassia Reyes: “Quando nos sentamos para jantar, minha mãe abraça ele e pousa a cabeça no seu ombro por um momento, antes de lhe entregar a embalagem de alumínio. Ele estende a mão para tocar no seu cabelo, no seu rosto. Ao observá-los, penso que algum dia algo parecido pode acontecer a mim e a Xander”.

Os casais são estabelecidos e divulgados no Banquete do Par, quando os participantes têm 17 anos, e quem escolher ter um Par terá seu Contrato Matrimonial aos 21 anos para procriar aos 24, em média, aumentando a probabilidade de gerar filhos saudáveis. Cassia foi designada no Banquete ao seu melhor amigo de infância, Xander, porém, ao checar novamente seu microcartão, vê outro rosto, o de seu vizinho Ky.

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Este erro é o suficiente para que Cassia veja Ky com outros olhos, passando a ter sentimentos por ele. A recusa em aceitá-los vem da naturalização das regras impostas pela Sociedade, que a fazem crer que apenas seguindo as normas estará em segurança.

A trilogia de Ally Condie se apoia no direito, que se deveria ter, à liberdade de escolha e afetiva, uma vez que sentimentos são o que nos mantém humanos, como percebe Winston, de 1984. Sem eles seríamos apenas peças de um maquinário político e, por isso, justifica-se que nas sociedades distópicas estudadas os governos autoritários temem sua manifestação, seja na forma de compaixão, indignação ou amor.

Livre-arbítrio

Por se tratar de obras ficcionais retratando regimes totalitários, torna-se mais fácil culpar uma única figura ou órgão por todo o controle da subjetividade e influência na vida privada, seja ele o Grande Irmão ou o Presidente Snow, por exemplo. Mas na realidade, diversas sociedades de diversas épocas vêm fazendo esse monitoramento da vida pessoal de diferentes formas, sejam elas leis e normas, sejam convenções e fatos sociais.

Atualmente, com a constante vigilância empreendida por sistemas de câmeras onipresentes e o uso frequente das redes sociais é ainda mais perceptível como influências externas podem interferir em campos privativos íntimos. Como Katniss e Peeta, vemos pessoas viverem de sua imagem na tentativa de agradar um público a fim de obter reconhecimento, sem necessariamente exercer sua liberdade individual e agir conforme suas escolhas.

A história criada por Condie vai além de relacionamentos amorosos juvenis: ela o usa como parâmetro para elucidar o questionamento e a não conformidade com padrões socialmente impostos sobre como se comportar, trabalhar, casar, comer e viver. Padrões estes colocados para docilizar corpos e que se dão, muitas vezes, através de ausência ou controle de informações, sem que se perceba claramente quando se está reproduzindo-os.

Considerações finais

Enquanto a utopia idealizada no século XVI buscava a reparação das imperfeições sociais, confiante em um futuro melhor, as distopias do século XX têm a intenção de amedrontar seu público a partir de ideias que já se encontram em curso.

Na época da primeira onda distópica, o fim da década de 1940 e passadas as duas grandes Guerras Mundiais, o mundo passa por grandes mudanças econômicas, tecnológicas, com a aparição das grandes máquinas, e sociais, o que se reflete nas vidas privadas. A vida nas fábricas e a necessidade de reerguer o primeiro mundo leva à busca pelo reestabelecimento das famílias e vidas domésticas, a um impulso consumista e a uma limitação às interações sociais.

A distopia, nestes livros, empreende seu maior papel: um sinal de alerta para o que os autores consideravam errado no momento e que tenderia a se tornar pior com o tempo. Porém, nos romances atuais distópicos, o alerta ainda ressoa sobre as mesmas questões: o distanciamento das relações sociais físicas, enquanto há a aproximação virtual (nem sempre tão profunda e verdadeira) e a presença constante de telas tecnológicas monitorando os indivíduos.

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Ambas as trilogias produzidas neste início de século e aqui abordadas não apresentam uma solução para os problemas presenciados, não ousam propor uma utopia para opor-se à sua distopia. Seu objetivo principal é a crítica: denunciar as atrocidades cometidas no passado, já alertadas por Bradbury e Orwell, mas que se mantém em curso até o presente, ainda causando desconforto.

O propósito destas obras é atingir um público anteriormente “inalcançável” com as outras literaturas distópicas: os adolescentes e jovens adultos. O fato de ainda serem produzidas distopias mostra que ainda há inconformidade com o rumo bárbaro que o mundo está tomando, de modo a incutir nestes jovens o pensamento crítico, para que possam questionar assuntos como sua própria autonomia e o impacto de suas ações no âmbito social e global.

 

Artigo resumido. Acesse para ler o artigo integral.

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No dia do amigo, celebramos a amizade de JRR Tolkien e CS Lewis

No dia 20 de julho (data em que se comemora o dia do amigo) fomos convidados pela HarperCollins a apresentar um evento na livraria Saraiva do Shopping Nova Iguaçu sobre O Dom da Amizade, livro de Colin Duriez que fala da amizade fabulosa de CS Lewis, escritor de As Crônicas de Nárnia e JRR Tolkien, autor de Senhor dos Anéis e Hobbit.

O evento contou com diversos brindes cedidos pela editora e um debate sobre o livro, as obras dos autores e o futuro de seus universo, contando com a célebre presença do pessoal da Toca, os únicos membros da Tolkien Society da América do Sul. O livro de Duriez retrata a curiosa amizade que permitiu e influenciou o gênero de fantasia na literatura, lidando desde explicações mitológicas a construção de mundos expandidos.

A obra também marcou a entrada de Tolkien na editora HarperCollins que promete relançar suas obras no Brasil. A próxima será em agosto, com o título A Queda de Gondolin. Confira abaixo fotos do evento. Em breve sairá o vídeo!

 


 

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Resenha | Série de Livros: Os Bridgertons – Julia Quinn

Julia Quinn já pode ser considerada um dos grandes nomes de romance de época. A autora (que conhecemos quando passou pelo Brasil) é premiada por sua escrita e possui seus livros em listas de best-sellers. Entre eles, está a série que falaremos a seguir: Os Bridgertons.

O Duque e Eu Resultado de imagem para 3,5 stars

Já ouviram falar de O Duque e Eu? Ele é o primeiro livro da série Os Bridgertons da Julia Quinn, publicado pela Editora Arqueiro em 2013.

Esse romance de época maravilhoso é composto por 288 páginas e conta a história de Daphne e Simon.

O duque de Hastings (Simon) é, na opinião de toda a sociedade, um perfeito libertino e, para a infelicidade das mulheres, completamente irresistível. Sua mãe faleceu após seu parto e ele foi renegado pelo pai por conta de sua gagueira quando criança, o que o fez crescer como um homem que não conhecia o amor caloroso que só uma família poderia lhe oferecer. Determinado a nunca se casar, o duque acaba bolando um plano com ninguém menos que Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu amigo Anthony, para que possa afastar as mães casamenteiras. O que ele não esperava era que a proximidade entre eles acabaria transformando a amizade em algo muito maior.

Daphne, por sua vez, é a quarta filha (de oito, no total) da família Bridgerton e a mais velha entre as meninas. Com isso, cai sobre seus ombros a responsabilidade de encontrar um marido, o que não é de todo ruim, já que ela sonha em se casar e formar uma família grande. Com o plano de Simon, ela poderia finalmente encontrar um homem disposto a desposá-la e seguir seus objetivos. Porém, quando percebe que está apaixonada pelo duque, ela começa a questionar o que realmente deseja da vida.

O primeiro encontro deles dois é bastante cômico e eu gostei bastante dos diálogos, apesar de achar alguns um pouco massivo. Daphne, sua mãe Violet e todos os outros Bridgertons são divertidíssimos e eu adorei ver como Simon, aos poucos, foi descobrindo o que significava fazer parte de uma família.

O enredo em si é bem leve, a leitura fluida e rápida. Uma cena em específico me pareceu muito forçada, mas ainda assim é um livro que recomendo. Vale muito a pena, então podem comprar e mergulhar nele sem medo.

O Visconde Que Me Amava Imagem relacionada

Com certeza me surpreendeu mais do que eu esperava!

O livro conta a história do visconde Anthony Bridgerton, o filho mais velho da família que originou o nome dessa série da Julia Quinn.

Anthony é um libertino sem igual e tem a convicção de que morrerá cedo, por isso evitou se casar por muito anos enquanto aproveitava o que a vida tinha a lhe oferecer. Mas, quando ele decide que está na hora de escolher uma viscondessa e ter um herdeiro para carregar seu título, ele escolhe ninguém menos que a bela Edwina, considerada a jovem mais bonita daquela temporada em Londres.

O único problema é que a garota deixou claro para todos os seus inúmeros pretendentes que só se casaria com aquele o qual tivesse a aprovação de sua irmã mais velha. Kate, diferente de Edwina, é uma mulher comum e extremamente teimosa, sem nenhuma beleza extraordinária ou graça, mas com um enorme coração e uma língua bastante afiada.

Apesar de sua madrasta (Mary é só amor!) desejar que ela também encontre um marido, Kate está mais preocupada com a felicidade da caçula do que com a própria. Por isso, impede que Anthony, com toda sua péssima reputação, corteje a irmã.

Porém, o visconde parece determinado a se casar com Edwina ainda assim e, por casos e acasos, acaba tendo que lidar com Kate mais do que gostaria, até que ele descobre que provocá-la poderia ser extremamente gratificante. A partir disso, uma amizade surge entre os dois, e da amizade vem a paixão.

O Visconde Que Me Amava é bem divertido e eu sofri junto com a Kate com as peripécias e atrevimentos de Anthony. Confesso também que tive vontade de socá-lo algumas – muitas – vezes. Mas, algo que me chamou muito a atenção é sobre como a autora nos faz pensar sobre os medos – racionais ou não – que todo ser humano tem. A leitura, assim como O Duque e Eu, é muito leve e super rápida, contendo também 288 páginas. Vocês não vão se arrepender, com certeza ?

Um Perfeito Cavalheiro
⭐⭐⭐

No terceiro livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn conta a história de Benedict e Sophie. Como os outros dois, a leitura foi bem rapidinha, porém, bateu uma certa nostalgia inesperada dessa vez.

O motivo é pelo fato desse romance ser claramente uma releitura da história da Cinderela.

No caso, Sophie Beckett é uma bastarda, filha de um conde com uma camareira – que faleceu durante o parto da criança. Com isso, Sophie acaba indo morar com o pai, que a trata como sua pupila para não admitir que era seu progenitor – ainda que fosse bastante óbvio. Quando o conde se casa com uma mulher chamada Araminta, a vida de Sophie se transforma em um inferno, principalmente quando o pai morre e a madrasta faz dela sua escrava pessoal para servir a ela e suas duas filhas.

Certa noite, Sophie recebe a ajuda dos criados da casa e comparece a um baile de máscaras na residência da família Bridgerton, onde ela conhece e se apaixona por Benedict, o segundo filho da linhagem. Ele, por sua vez, também fica encantado pela mulher misteriosa e deseja desposá-la, ainda que não soubesse nem mesmo seu nome. Porém, ao ser descoberta por Araminta, Sophie acaba tendo que fugir de Londres e tentar a vida em outro lugar, deixando Benedict para trás sem revelar seu segredo.

Anos depois, Sophie mal acredita quando reencontra Benedict, que a salva de três homens com péssimas intenções. Só que, para a infelicidade dela, ele não a reconhece e Sophie decide não lhe contar a verdade sobre ser a mulher misteriosa do baile de máscaras. Porém, Benedict começa a se apaixonar por Sophie sem imaginar que ela era a mesma mulher que roubou seu coração anos antes.

A história como um todo é bem legal, mas algumas falas e atitudes de Benedict me deixaram com uma ponta de mágoa, apesar de saber que era típico da época e culpa do preconceito da sociedade por causa da diferença entre as classes sociais deles. Pra mim, ele não é tão cavalheiro assim. Na verdade, em muitas cenas, ele é o completo oposto.

Mas mesmo achando esse livro foi o mais fraco até então, acho que vale a leitura. De qualquer forma, todos os personagens são muito bem construídos e cativantes.

Obs: Violet é muito rainha!

Os Segredos de Colin BridgertonImagem relacionada

Acho que desde que comecei a ler a série Os Bridgertons eu ansiava pelo livro do Colin.

É impossível não se apaixonar pelo personagem, que é divertido, charmoso e muito, muito espirituoso mesmo. Colin é o tipo de cara que todas as mulheres da história querem para si e eu realmente me surpreendi muito quando descobri que sua dupla romântica seria ninguém menos que Penelope Featherington, melhor amiga de Eloise Bridgerton e uma mulher que não parecia ter nada de… especial.

Penelope e Colin tem uma amizade desde jovens, principalmente por ela estar sempre junto da irmã caçula dele. Porém, ela sempre nutriu sentimentos por ele e em momento algum pensou que seria retribuída, por isso já havia aceitado ser uma solteirona de 28 anos que viveria para sempre com a mãe.

Para quem leu o livro anterior (Um Perfeito Cavalheiro), sabe que Colin mandou muito mal ao falar que jamais se casaria com Penelope, sem saber, claro, que ela estava bem atrás dele naquele momento. Já nessa hora eu me toquei que a história seguinte seria baseada neles e aquilo despertou minha curiosidade.

Foi muito inesperado, pois tive dificuldade em imaginar como seria o desenrolar do caso deles, mas quando aconteceu… UAU!

Penelope acaba descobrindo um segredo de Colin e ele, por sua vez, acaba descobrindo um segredo dela. Algo que, admito, NUNCA imaginei e talvez por isso tenha sido um choque tão grande.

Infelizmente não posso falar muito mais, porque estragaria a experiência de vocês, mas só posso dizer que esse foi um dos meus favoritos da série (junto com O Visconde Que Me Amava). Confesso que também foi ótimo descobrir uma face mais séria e profunda de Colin, algo além dos sorrisos galantes e frases de efeito.

Julia Quinn tá de parabéns!

 

Para Sir Phillip, com Amor
⭐⭐⭐

Recentemente eu terminei o quinto livro da série Os Bridgertons, que conta agora a história de Eloise.

Bom, Eloise é uma solteirona de 28 anos que recusou todos o s pedidos de casamento que recebeu. Não por não querer se casar nem nada, mas porque ela buscava um amor como os irmãos encontraram: arrebatador e intenso. Porém, seus pensamentos sobre o assunto começam a ficar inquietos quando Penelope – sua melhor amiga e que também era uma solteirona – finalmente se casa.

A garota sempre gostou muito de escrever cartas e isso é mostrado até mesmo no livro anterior. Eloise se corresponde secretamente com Phillip, o marido viúvo de sua prima Marina. Inicialmente era algo despretensioso, mas conforme as cartas vão sendo trocadas e Phillip a convida para conhecê-lo pessoalmente com a possibilidade de se casarem, tudo muda.

Ela, então, acaba fugindo de casa para se encontrar com ele e descobre que Phillip é diferente de tudo o que imaginou. Ele, por sua vez, também fica bastante surpreso com a garota, que é mais bonita e falante do que ele esperara.

Agora, ambos precisarão se dar uma chance para realmente conhecerem um ao outro e descobrir se são compatíveis para passar o resto da vida juntos.

Em geral eu achei esse meio fraco, assim como Um Perfeito Cavalheiro. Gostei de algumas partes, especialmente quando os irmãos mais velhos dela aparecem! Gente, sou apaixonada demais pelo Anthony e pelo Colin, não dá não!

Porém, achei Phillip meio sem graça e sem sal. Eloise também é maluquinha demais e não pensa muito nas consequências, o que me fez ter vontade de sacudi-la diversas vezes.

Mas é um romance levinho e descontraído e acho que sempre vale a pena terminar uma série, nem que seja pra falar que acabou hahahaha.

 

O Conde EnfeitiçadoResultado de imagem para 3,5 stars

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Pra ser sincera, nunca fui muito fã da Francesca, a sexta filha dos Bridgertons. Sempre achei ela mais distante da família, o que acabava por não me dar tanto interesse na sua história. Porém, ao descobrir que ela se tornara uma viúva, bom… isso despertou minha atenção.

O livro conta sobre como Francesca perdeu o amado John após dois anos de casamento. Ela era feliz em seu matrimônio e ainda ganhara um grande amigo: Michael, o primo do marido e um perfeito devasso.
Porém, um devasso que a amava mais do que tudo.

Francesa, claro, nem poderia imaginar os sentimentos de Michael por ela, já que ele mesmo os manteve trancafiados por anos, se culpando por se apaixonar logo pela esposa do primo, que era quase um irmão, na verdade.

O romance dos dois demora muito para se desenrolar, mas isso não é um ponto negativo. Francesca via Michael apenas como seu melhor amigo e ele, por sua vez, jamais tivera a intenção de se declarar para a amada. Não era uma opção, ele simplesmente jamais seria capaz de trair a memória de John.

Porém, as coisas mudam quando a garota decide, seis anos após o marido falecer, de que está na hora de se casar novamente para gerar um filho. Nesse meio tempo, Francesa começa a perceber Michael como homem e ele começa a pensar que talvez pudesse sim desposá-la, que talvez o próprio primo torcesse pela união dos dois.

Em geral, achei Francesa uma pessoa mesquinha e até egoísta. Michael, por sua vez, foi covarde muitas vezes, ainda que em alguns casos era aceitável por conta de seus pensamentos sobre respeitar o primo a todo custo.

Eu não fiquei muito empolgada com a história, mas preciso dizer que um ponto me surpreendeu bastante e Julia Quinn ganhou muuuitos pontinhos comigo.

As cenas de sexo são abrasadoras, sensuais, de tirar o fôlego! Ainda mais considerando que é um romance de época. Então, posso dizer que a leitura valeu muito a pena, porque minha gente, Michael é o verdadeiro libertino da série Os Bridgertons e, vamos combinar, todas nós adoramos um bom libertino. #sódigoverdades

 

Um Beijo Inesquecível
⭐⭐⭐

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O sétimo livro da série Os Bridgertons é focado na caçula Hyacinth e Gareth St. Clair, que é ninguém menos que neto da diva Lady Danbury. Vale contar que a menina e Lady D são super amigas e os diálogos entre as duas são sempre divertidos.

Também vale a pena avisar que Eloise Bridgerton é uma santa perto de Hyacinth. A filha mais nova da família é louca. De verdade. Ela é cabeça-dura, completamente irônica e inconsequente. Ainda assim, é uma das personagens mais engraçadas da série exatamente por isso. Com uma língua afiada e sempre atenta, Hyacinth mostra como antigamente mulheres fortes e que pensam por si só  não eram vistas como um bom partido de casamento. Acho que esse é um ponto bem bacana do livro e da personagem em si, apesar de eu acreditar que ela é teimosa como uma mula. Bom, talvez pior…

Quanto ao romance, as coisas começam a acontecer quando Gareth St. Clair descobre um diário em italiano da outra avó e acaba aceitando a ajuda de Hyacinth com a tradução. Ambos começam a se aproximar e descobrem que o tal diário guardava um segredo, assim como o próprio Gareth.

Confesso que senti um pouco de falta de um desenvolvimento melhor no romance entre eles. Não foi instalove, longe disso, mas ainda assim acho que poderia ter algo além. Porém, devo dizer que adorava as conversas deles dois, principalmente porque é incrível ver Gareth sabendo lidar perfeitamente com Hyacinth. O que, vamos combinar, não é nada fácil.

O livro é bom e bem rapidinho, assim como os outros da Julia Quinn. Confesso também que eu adorei o epílogo!

 

A Caminho do Altar – ⭐⭐⭐⭐⭐

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O melhor. Definitivamente o melhor de toda a série!

Como nunca vimos tanto assim o Gregory nos outros livros da série, eu não tinha grandes expectativas para conhecer a história dele. Mas preciso dizer que, para mim, foi o livro mais emocionante dentro os oito!

Já no início pude perceber que teríamos um pouco mais de ação no enredo e ele não me decepcionou nem um pouco.

Gregory viu todos os seus irmãos se apaixonarem e, por isso, sempre acreditou no amor e em como pode ser arrebatador. O caçula Bridgerton passou a vida esperando para ser fisgado pela mulher que roubaria sem coração de repente e assim ele conhece a Sra. Hermione Watson (Se eu lembrei de Harry Potter? Imagiiiiina!). Porém, Hermione já se diz apaixonada por outro homem e Gregory irá contar com a ajuda de Lucy, melhor amiga da amada para conquista-la.

Lucy, por sua vez, é uma garota que leva seus deveres muito a sério e está com o casamento marcado. Algo que fora decidido pelo tio quando ela era apenas uma criança. Lucy não acredita no amor, acha que um casamento com um homem que a respeite é o suficiente. Porém, ela se vê ansiando por esses sentimentos conforme conhece Gregory e sua forma de pensar.

Gregory, por outro lado, começa a perceber que Hermione e ele não foram feitos um para o outro e descobre que Lucy é muito mais do que ele imaginava.

Gostei muito de ver como a protagonista se desenvolveu e cresceu durante a história. Foi uma delícia acompanhar o romance entra ela e Gregory. Um dos pontos que mais me impressionou foi o fato de vermos claramente as diferenças entre atração, paixão e amor.

O final me tirou muitas lágrimas e foi o livro da série que mais mexeu comigo. Senti muito medo das coisas não acabarem bem e para um romance de época da Julia Quinn, precisamos lembrar que um final triste é praticamente impossível. Ainda assim, fiquei muito nervosa nos últimos capítulos e fiquei absurdamente emocionada com o desfecho.

Leiam… não! Devorem esse livro, porque ele é lindo.

Aliás, toda a série é e todo o mundo deveria dar uma chance para essa família linda.

 

 

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Entrevista | Ully Kety e seu livro hot Nicole, primeiro da trilogia (12+)

Ully Kety fala sobre seu livro hot “Nicole” e seu processo de criação

Neste GeekEntrevista temos como convidada Ully Kety. A carioca de 25 anos publicou recentemente seu livro de estreia: “Nicole”, o primeiro de uma trilogia. O livro pertence ao gênero hot e young adult e fala sobre temas reais e dificuldades que podemos encontrar na vida.

A autora Ully Kety

Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos

 

Saiba mais sobre o livro, a partir das palavras da autora.

1- Dentre tantos livros hot presentes no mercado, o que você acredita que seja o diferencial na sua história?

Ully Kety: Eu que também sou leitora assídua, tive dificuldade em encontrar personagens que não tivessem nada de especial. Eu queria que as pessoas pudessem imaginá-la e se identificar com ela. Ela tem atitudes tão comuns, erra tanto… é indecisa e tem momentos de egoísmo e também solidariedade, é muito… humana. E exatamente como qualquer leitora, acho que esse no final é seu diferencial. Meus personagens, e não digo só a Nicole, passam por maus momentos, que qualquer um poderia passar, e nesse exato momento, elas não criam alguma habilidade “magnífica” para solucionar o problema. Acredito, que elas solucionam os problemas, exatamente como nós tentaríamos solucionar.

2- Porque você decidiu escrever uma trilogia?

UK: Escrever uma trilogia, foi uma decisão ousada. Pois sabemos, que dependemos que o primeiro livro se torne uma avalanche, para que o segundo e terceiro alavanquem. Não achei, que seria justo não contar a história de Vivian e Alice. Elas mereciam ter sua história contada. E como tinha certeza que as pessoas se apaixonariam por elas, tomei a decisão de contar suas versões da história.

3- Seu livro é um espécie de crítica a regras socialmente impostas, valorizando a liberdade de escolha. O que te levou a falar sobre esse assunto?

UK: Foi algo que aconteceu naturalmente. Evidentemente, era um assunto que eu já tinha vontade de abordar. Sempre vemos a figura feminina como alguém que depende, socialmente falando, de andar nas “Regras” para ser bem vista. Isso, de certa forma, retira o seu direito de escolha. Porque acabamos em um impasse. “Fazemos oque realmente queremos ou vivemos da forma que foi socialmente imposta?”. De qualquer forma, o livro ressalta das nossas responsabilidades, a partir da escolha feita.

4- O que você acha que foi o fator decisivo para os romances eróticos saírem das bancas e alcançarem o título de “best sellers”?

UK: Acredito, que o que fez com que o consumo de romances eróticos alavancasse, foi o espaço que as mulheres conquistaram na sociedade. A liberdade que buscamos, reflete em diversas áreas, inclusive, na literatura. Hoje em dia as mulheres não se envergonham de abrir um livro hot em um lugar público. E isso é ótimo, tanto para nós que escrevemos, quanto para elas que podem se deliciar com nossas histórias.

5- Como você vê essa quebra de tabu que possibilita que as mulheres sejam capazes de falar amplamente sobre sensualidade e sexualidade?

UK: Uma conquista maravilhosa para nós! Sexo não deveria nunca ter sido um tabu. Sexo é prazer, e a mulher tem todo o direito de sentir, provocar, e falar sobre. Eu me sinto poderosa ao falar abertamente sobre sexo. Todas as mulheres deveriam aproveitar esse momento em que esse tabu vem se quebrando, para se conhecerem melhor sexualmente, falarem com seus parceiros sobre sexo e o mais importante; pôr tudo em prática! ( Risos!).

Ully Kety e seu livro Nicole

O livro “Nicole” está à venda no site da Editora Skull e pode ser adquirido aqui. Confira a sinopse do livro:

E se antes mesmo que você nascesse alguém já tivesse decidido sua vida por você… como se comportar, como se vestir, sua profissão… tudo!

Regras. Criada em uma escola para moças. Peão de um jogo de pessoas poderosas. E se na noite da minha formatura eu resolvesse quebrar todas as regras? Só há um problema nisto tudo: as consequências desse meu DESEJO. Eu me chamo Nicole, sejam bem vindos a loucura que se tornou a minha vida.

Para conhecer outros livros nacionais, clique aqui.

 

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GeekView | Conto: Defeito na cama gelada

Defeito na cama gelada” é um conto escrito por Renan Bernardo e foi publicado na antologia “Fogo de Prometeu, Contos Fantásticos”, obra organizada por Paola Giometti que reuniu quinze autores nacionais.

A história possui apenas seis páginas e provavelmente é nesse momento que você, leitor, deve estar se perguntando “Por que não falar sobre o livro como um todo?” ou “Qual a necessidade de se escrever uma resenha para uma história de apenas seis páginas?”

Então antes de ir a resenha gostaria de esclarecer esses pontos…

No dia 08/04/2017, nós da Geekstart estivemos no evento da LiteraCaxias que ocorreu no SESC de Duque de Caxias, lá tive a oportunidade de conhecer o Renan Bernardo, autor da obra e um dos palestrantes do evento. Renan, em determinado momento, apresentou três de seus trabalhos: “A sala do tempo”, “Vilões” e por fim mas não menos importante “Fogo de Prometeu” (este adquirido por mim).

Ainda no dia do evento, tive o prazer de trocar uma ideia com o Renan e pegar seu autógrafo em meu exemplar. Nesse meio tempo me comprometi em fazer uma resenha sobre sua história e por isso me antecipei em ler seu trabalho antes dos demais contos do livro, mas prometo a vocês que irei trazer uma resenha completa da obra mais pra frente.

Então vamos à resenha… Por conta do seu tamanho reduzido, não sei se propositalmente para padronizar com os demais contos ou por mera coincidência. Li a história em minutos e minha reação ao terminá-la foi de entusiasmo e orgulho de ver a literatura nacional se renovar com autores talentosos como Renan. Em apenas seis páginas, o escritor foi capaz de criar um universo com reviravoltas, dilema moral e me fez refletir sobre a vida e a pós vida, sobre o que é realidade e o que é ilusão. Ele apresenta a história como anotações em um diário, uma pegada filosófica no melhor estilo Matrix e te faz desejar que aquelas seis páginas se multipliquem em um livro sobre o tema, mas que não haja necessidade para tal. A história é perfeita dentro das seis páginas em que se propõe ser apresentada.

Com isso, deixo aqui minha indicação aos leitores, procurem os trabalhos de Renan Bernardo que certamente valerá o tempo de vocês.