Clássico do Cine Privé da Band, Emmanuelle volta em remake

Clássico do Cine Band Privé nos anos 1990 e 2000, a franquia erótica Emmanuelle vai ganhar um remake. Eternizada há décadas na pele de várias atrizes diferentes, a personagem icônica será interpretada por Noémie Merlant (Tár) na nova versão.

Iniciada nos cinemas na década de 1970, a franquia Emmanuelle é inspirada nos livros eróticos escritos por Emmanuelle Arsan, pseudônimo da escritora tailandesa Marayat Rollet-Andriane (1932-2005). Na trama, a personagem-título explora a sua sexualidade em encontros tórridos que vão de seu marido a executivos e os mais variados parceiros sexuais.

A primeira adaptação da obra surgiu em 1974, na França, com direção de Just Jaeckin (1940-2022) e Sylvia Kristel (1952-2012) no papel principal. Emanuelle se tornou sucesso internacional e foi a maior bilheteria do país naquele ano, sendo o primeiro filme a apresentar cenas de sexo, masturbação e estupro.

Além de Sylvia Kristel, outras atrizes também interpretaram a personagem em várias versões da franquia, como Marcela Walerstein, que viveu Emanuelle em sete oportunidades, e Monique Gabrielle. A mais famosa, no entanto, foi Krista Allen (O Mentiroso), que protagonizou os filmes produzidos nos anos 1990 e que marcaram época no Cine Band Privé.

Marga registrada da Band nas madrugadas de sábado, o Cine Privé marcou época para uma geração de jovens que tiveram seus primeiros contatos com obras eróticas na sessão de filmes da emissora paulista. Sua estreia ocorreu em 1995 e ficou no ar até 2010, quando foi retirado da grade de programação após queda na audiência.

A emissora continuou a exibir filmes eróticos na mesma faixa, mas a repercussão já não era a mesma. Contudo, a Band anunciou o retorno Cine Privé em 2019 e continua no ar até hoje.

Quem é a nova Emanuelle?

Para ressuscitar a franquia, a escolhida para viver Emanuelle foi Noémie Merlant, atriz francesa de 34 anos que despontou com longa Retrato de uma Jovem em Chamas (2019). Inicialmente, o projeto seria encabeçado por Léa Seydoux (007 Contra Spectre), mas a diretora Audrey Diwan, que irá comandar a nova versão, optou pela troca da protagonista.

“Eu amo Léa Seydoux, quero fazer um filme com ela um dia. Mas, para mim, ela não era a personagem que eu imaginava. De Retrato de uma Jovem em Chamas a Tár, nunca deixei de me deixar seduzir pela força da atuação de Noémie. Ela abraça a ideia do personagem, é capaz de desempenhar ao mesmo tempo a autoridade e a sedução. Noémie redefine a mulher francesa. Sua atitude, seu sorriso, aquela pitada de insolência que sempre vem à tona. Também sou sensível à ideia de encontrar na minha atriz uma parceira intelectual, aquela com quem crio a personagem. O filme requer um enorme envolvimento e confiança mútuos. E eu sei que encontrei a pessoa certa”, disse Audrey em entrevista ao Deadline.

As filmagens do reboot da franquia estão programadas para começarem em setembro deste ano em Hong Kong. A cidade localizada no território chinês será o palco da trama do filme, que mostrará Emanuelle trabalhando em um hotel de luxo. Audrey também é responsável pelo roteiro, que coescreveu ao lado de Rebecca Zlotowski.

“Adoro histórias contadas através do corpo. Com O Acontecimento [2020], passei os últimos anos explorando a ideia de dor. Então, eu diria que, naturalmente, eu queria explorar [depois] o prazer. Gostaria de devolver-lhe as suas cartas de nobreza, gosto de filmar o corpo olhando-o com atenção, mas não de forma provocativa. E quero abraçar uma gramática própria da noção de erotismo. O erotismo se baseia tanto no que mostramos quanto no que escondemos. É daí que vem a emoção”, explicou a cineasta.

Sobre o reboot, Audrey destacou que escolheu fazer uma nova adaptação de Emanuelle por conseguir se conectar com a personagem principal. Em sua versão, segundo a diretora, a protagonista usará a sexualidade para se descobrir e enfrentar a solidão.

“Inicialmente, quando escrevo, sempre sinto a necessidade de buscar uma conexão íntima com a história”, disse ela. “Então, meu filme vai se passar hoje em dia, Emmanuelle é uma mulher que tem quase a minha idade. Quis explorar a busca dela pelo prazer, o que ela representa quando você já abriu um caminho na vida. Quando não estamos em descoberta, mas em pesquisa. Com minha corroteirista Rebecca Zlotowski, imaginamos uma mulher que tem poder, que lutou para escapar, escalou sua montanha e também construiu uma armadura para si mesma. Ela se sente sozinha. Mas como sair da solidão? Emmanuelle é a história de uma mulher tentando deixar ir. Todo o filme é sobre traçar um caminho para o outro.”

Fonte: UOL Cinema

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