“‘Pearl’ foi a experiência mais desafiadora da minha vida”

Atriz entrega detalhes e desafios do filme que estreia nesta quinta (9) no Brasil; de quebra, declara amor pelo país e por sua avó, a atriz brasileira Maria Gladys: “ela é meu coração”

Nos quase 105 minutos de Pearl, Mia Goth desenha em cena um extenso espectro de atuação. De momentos de comédia, passando pelo óbvio horror até um surpreendente desfecho dramático, a atriz de 29 anos é uma âncora onipresente no longa de Ti West que se aprofunda no passado da personagem-título, introduzida como uma idosa assassina (interpretada também por Goth) no antecessor X – A Marca da Morte, de 2022.

Estreia da semana nos cinemas brasileiros, Pearl foi, até o momento de sua gravação, o mais desafiador da carreira de Mia Goth: “tínhamos um orçamento limitado e um cronograma apertado – tínhamos apenas quatro semanas para filmar tudo, então eram 16 horas de gravação, seis dias por semana”, contou a atriz à Rolling Stone Brasil.

Mia Goth em 'Pearl' (Reprodução)
Mia Goth em ‘Pearl’ (Reprodução)

Segunda parte de uma já confirmada trilogia de West, Pearl volta à juventude da octagenária de X. Isolada com a família em uma fazenda no interior do Texas durante a pandemia de gripe espanhola de 1918, a jovem personagem de Mia adentra em uma espiral de loucura ao ter sua idealização de uma vida de cinema, fama e glamour, confrontada com a realidade austera com uma mãe controladora (Tandi Wright) e um pai debilitado (Matthew Sunderland).

Se a atuação de Goth é responsável pelas tonalidades crescentes de desespero, captadas em planos fechados por Ti West, a atriz foi também fundamental para o desenvolvimento da personagem por outro aspecto: aqui, ela estreia como corroteirista do longa, a convite de West.

“Ele queria escrever comigo, porque a história era baseada em uma jovem Pearl, e já que eu estava interpretando a velha Pearl em X – A Marca da Morte, eu deveria ter uma parte na criação desse papel.”

Mia Goth como a velha Pearl em 'X - A Marca da Morte' (Reprodução)
Mia Goth como a velha Pearl e como a jovem Maxine em ‘X – A Marca da Morte’ (Reprodução)

A entrada de Goth como corroteirista de Pearltalvez tenha servido para aprofundar ainda mais algumas das temáticas que, desde X – A Marca da Morte, diferenciam a trilogia de Ti West do panorama do horror atual – em especial o olhar sobre um determinismo sobre a mulher e sobre o corpo feminino.

Temas, aliás, que devem ser retomados e ampliados na terceira parte da trilogia, MaxXxine, que segue a protagonista de X – A Marca da Morte, uma atriz de filmes adultos, para a década de 1980, durante a explosão da pornografia graças ao VHS. Sem adiantar tanto sobre o próximo filme, Mia conta:

“Ela [Maxine] sai como a única sobrevivente de X – A Marca da Morte, pega aquele carro e dirige em direção ao nascer do sol. Então quando a encontramos novamente no filme MaxXxine, ela tem muito a proteger e as apostas são muito altas. Ela ingressa em um grande mundo, ela é uma lutadora e vai defender-se a todo custo.”

“Meu coração é todo do Brasil”

Na conversa com a Rolling Stone Brasil, Mia Goth conta que a estreia de Pearl no país “parece uma conquista” para ela, que viveu por anos no país. Neta da atriz Maria Gladys – sua maior referência, garante -, ela conta como a recepção de seus filmes no Brasil é celebrada, por ela e por fãs, de forma diferente:

“E os fãs destes filmes são tão gentis, tão legais, sabe? Especialmente os fãs brasileiros que amam esses filmes. É um momento muito especial, porque meu coração é todo do Brasil. Eu cresci aí, eu passei os primeiros anos de minha vida aí e parece uma enorme conquista, sabe? Ter essa resposta do Brasil. Eu fico muito emocionada, amo demais, é incrível!”

Sobre Maria Gladys, a avó-atriz, dona de uma filmografia que atravessa seis décadas entre a TV e o cinema, ela apenas se declara emocionada – e em dois idiomas:

“Ela é de longe a atriz mais incrível. E eu aprendi tanto com ela e, para mim, não existe nada acima dela em termos de inspiração. [Fala em português] Ela é meu coração!

Mia Goth em 'Pearl' (Reprodução)
Mia Goth em ‘Pearl’ (Reprodução)

Leia abaixo a entrevista completa com Mia Goth:

Rolling Stone Brasil: Em Pearl você atua não apenas como atriz, mas como também coautora, sim? Como chegou a isso?

Mia Goth: Sim, foi fantástico! Até aquele momento tinha sido a experiência criativa mais satisfatória da minha vida, na verdade. E aconteceu meio do nada, na real. Eu estava em Nova York, me preparando para X – A Marca da Morte, fazendo minhas coisas, e ele me mandou uma mensagem de texto com a ideia para um prequel. E ele queria escrever comigo, porque a história era baseada em uma jovem Pearl, e já que eu estava interpretando a velha Pearl em X, eu deveria ter uma parte na criação desse papel. E isso realmente me pegou de surpresa, eu estava tão ansiosa e animada. Então partimos daí. E nós sabíamos que era uma aposta e tanto, era muito para pedirmos da produtora. Mas créditos à A24, eles estavam abertos para isso e deram um sinal verde.

Rolling Stone Brasil: Recentemente você comentou à Variety que Pearl foi seu trabalho mais desafiador. O que a faz pensar isso?

Mia Goth: Foi a primeira vez que eu gravei um filme em que minha personagem está em todas as cenas. Então, apenas a logística disso é incrivelmente intensa e desafiadora. Você não tem descanso. Isso somado ao fato que tínhamos um orçamento limitado e um cronograma apertado – tínhamos apenas quatro semanas para filmar tudo, então eram 16 horas de gravação, seis dias por semana… tudo isso foi o que tornou Pearl a experiência mais desafiadora da minha vida. Mas ao mesmo tempo foi também a mais gratificante para mim. Eu estava pronta para isso e andava em busca disso há um tempo, me sentia preparada. Eu já acreditava em mim mesma como intérprete, acreditava que podia fazer algo assim, então quando a oportunidade apareceu, eu me joguei.

Rolling Stone Brasil: Sabemos que MaxXxine vem aí, e sabemos que não pode falar muto a respeito, mas de que forma você pretende refletir essas histórias de Pearl e de X – A Marca da Morte no novo filme?

Mia Goth: Eu realmente não posso dizer muito, mas o que posso dizer é que Maxine atravessa situações muito loucas em X e ultimamente ela é uma sobrevivente. Ela sai como a única sobrevivente da situação, pega aquele carro e dirige em direção ao nascer do sol. Então quando a encontramos novamente no filme MaxXxine, ela tem muito a proteger e as apostas são muito altas. Ela ingressa em um grande mundo, ela é uma lutadora e vai defender-se a todo custo.

Mia Goth em 'Infinity Pool' (Reprodução)
Mia Goth em ‘Infinity Pool’ (Reprodução)

Rolling Stone Brasil: Entre a Trilogia X e seu próximo filme, Infinity Pool, você tornou-se um dos rostos mais conhecidos da nova geração do horror. Como se sente com isso?

Mia Goth: Eu amo! Amo! É bastante surreal, para ser sincera. Sempre soube que esses projetos eram especiais quando ingressei em cada um deles, mas é outra coisa lançá-los ao mundo e ter a identificação do público, da mesma forma como você própria lá no início. E é incrível testemunhar isso. E os fãs destes filmes são tão gentis, tão legais, sabe? Especialmente os fãs brasileiros que amam esses filmes. É um momento muito especial, porque meu coração é todo do Brasil. Eu cresci aí, eu passei os primeiros anos de minha vida aí e parece uma enorme conquista, sabe? Ter essa resposta do Brasil. Eu fico muito emocionada, amo demais, é incrível!

Rolling Stone Brasil: Ia perguntar exatamente sobre os fãs brasileiros, como é sua relação conosco?

Mia Goth: Eu recebo tanto carinho de vocês! Minha família mora no Rio, então sempre que pouso, já no aeroporto, eu me sinto em casa. E o fato dos brasileiros assistirem esses filmes e gostarem, parece uma conquista para mim, entende? Brasileiros são tão calorosos, eles têm um coração gigante e são vibrantes e é assim, desse jeito, que eles recebem esses filmes. Parece um abraço.

Rolling Stone Brasil: Ainda falando de Brasil, quais são suas referências culturais por aqui?

Mia Goth: Uma de minhas maiores fontes de inspiração é minha avó, que é uma atriz brasileira, Maria Gladys. Ela é de longe a atriz mais incrível. E eu aprendi tanto com ela e, para mim, não existe nada acima dela em termos de inspiração. [Fala em português] Ela é meu coração!

Pearl estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 9 de fevereiro.

Fonte: UOL Cinema

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